Montepio nega que esteja a transferir clientes para banco novo

Instituição financeira poderia estar a passar os melhores clientes para o Banco de Empresas Montepio para depois vender parte do capital a novos acionistas, avançou ontem o jornal Público.

O Banco Montepio garante que não pretende transferir os seus melhores clientes para o Banco de Empresas Montepio (BEM). Também assegura que não está a criar um banco bom - o BEM - e a esvaziar o Banco Montepio dos "ativos bons". O esclarecimento, via nota interna aos trabalhadores, surgiu após uma notícia do Público, de ontem. Segundo aquele jornal, o objetivo do Montepio é passar os melhores clientes para o BEM e depois vender parte do capital do banco a novos acionistas.

Ao que o Dinheiro Vivo apurou, a notícia causou desconforto no Montepio, nomeadamente a informação sobre a carteira de crédito malparado. Segundo o Público, os 50 maiores devedores do banco podem custar 400 milhões de euros. Entre os nomes de devedores estarão o do construtor José Guilherme, o Grupo de Hotéis NH, Rui Alegre e a Somague/Sacyr. Oficialmente, o banco escusa-se a comentar estes dados alegando o dever de sigilo bancário.

O Banco Montepio é controlado pela Associação Mutualista Montepio Geral, liderada por António Tomás Correia.

Segundo o Público, o BEM poderia vir a retirar em poucos anos 2,3 mil milhões de euros de ativos ligados a clientes cumpridores do Banco Montepio se os clientes o requererem. O novo banco iria esvaziar do Montepio os bons clientes com volumes de negócios anuais superiores a 20 milhões de euros, sem no entanto ficar com os ativos tóxicos e as imparidades. O Montepio registou em 2018 um valor de 1,9 mil milhões de euros em imparidades.

O BEM foi apresentado no dia 5 de maio por Carlos Tavares, chairman do Montepio, e Dulce Mota, que recentemente assumiu o cargo de presidente executiva do banco. O novo banco vai ter um capital de 180 milhões de euros, uma rede de dez balcões e vai empregar 45 trabalhadores.

A acontecer essa transferência de clientes, o BEM poderia contribuir para desvalorizar o Montepio, afetando o nível de cobertura das responsabilidades assumidas pela mutualista perante os seus 630 mil associados, indicou o Público.

elisabete.tavares@dinheirovivo.pt

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