Modelo de baixos salários é insustentável com revolução digital, diz presidente dos CTT

Francisco de Lacerda disse que 4.ª revolução industrial precisa de trabalhadores qualificados e não é sustentável com baixos salários

O presidente dos CTT afirmou hoje que "o modelo de baixos salários acabou", pois não será sustentável com a revolução digital que está a caminho, e considerou a inovação "um eixo crítico" para o desenvolvimento da economia.

"A inovação é um eixo crítico para a nossa economia e o modelo baseado em baixos salários acabou", disse Francisco de Lacerda, numa conferência da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), em Lisboa, lembrando ainda que o modelo da 4.ª revolução industrial precisa de trabalhadores qualificados e não é sustentável com baixos salários.

Na sua intervenção sobre "A inovação e o impacto na economia e na sociedade", Francisco de Lacerda explicou que a 4.ª revolução industrial assenta "num modelo baseado no conhecimento", o que implica também ver o mercado como global.

"Não se trata de distribuir empregos", disse o responsável, mas "de adaptar e criar novos empregos".

Nesse sentido, o desenvolvimento das empresas e o futuro do país passa, "não só por requalificar os trabalhadores", mas por apostar "na inovação, qualificação, adaptabilidade e flexibilidade", sublinhou.

Outra questão referida pelo gestor tem a ver com o facto de em Portugal ser "muito difícil aceitar a flexibilidade", o que, para Francisco de Lacerda, levou a que "muitas empresas" tivessem um "fim triste".

O presidente do CTT admitiu que "a Europa tem este problema" e que Portugal, quando se fala dos demais países europeus, ocupa um lugar cimeiro.

"Não é só um problema legal, mas é um problema de mentalidade [tanto na Europa como em Portugal]", disse.

A inovação, segundo o gestor, influencia a competitividade da economia portuguesa e a sua produtividade, sendo "a principal força de transformação e criação de riqueza".

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