Mais 87 milhões de euros em compras no supermercado

Confinamento empurra novas subidas nos gastos no supermercado: são mais 12,3%. Cabaz é reforçado com compras de congelados, bebidas alcoólicas e mercearia

Confinados, os portugueses continuam a aumentar os gastos no supermercado: em janeiro gastaram 792 milhões de euros, uma subida de 12,3% em relação ao ano passado. Num mês gastou-se mais 87 milhões do que há um ano, quando o país não tinha ainda recolhido a casa, revela o estudo ScanTrends, da NielsenIQ. Sem corridas ao super ou açambarcamento de papel higiénico, neste segundo fecho os portugueses encheram mais o carrinho com congelados (+23%), bebidas alcoólicas (+17%) e mercearia (+16%).

"Continuamos num contexto em que se verifica muitas transferências de consumo para dentro de casa. A tendência foi intensificada com o encerramento dos restaurantes e posteriormente das escolas, o que levou muitos a concentrarem todos os momentos de consumo dentro de portas. A evolução das categorias é reflexo deste contexto: crescimento significativo em essenciais de mercearia, congelados, bebidas quentes e detergentes para loiça", explica Ana Paula Barbosa, retailer services director da NielsenIQ.

Se em 2020 os portugueses abriram os cordões à bolsa no super - as vendas de bens de grande consumo atingiram 10,352 mil milhões de euros, mais 7,4% do que em 2019, tendo-se gasto mais 730 milhões -, o arranque do ano com novo confinamento e a restauração a funcionar apenas para take away e entregas em casa, pôs os consumidores nacionais de novo a concentrar compras no super. O valor subiu 12,3% em janeiro, quando comparado com igual período num mês em que já havia um crescimento de 5,3%.

Continuamos num contexto em que se verifica muitas transferências de consumo para dentro de casa. A tendência foi intensificada com o encerramento dos restaurantes e posteriormente das escolas

O que faz parte do cabaz?

"Em 2020, houve uma evolução muito marcada das tendências das categorias de acordo com as fases de evolução da covid. Existiu, numa primeira fase, uma procura desenfreada por produtos alimentares e de longa conservação, sem esquecer o papel higiénico que, na semana de entrada em vigor do primeiro confinamento cresceu acima de 200%. À medida que a situação foi avançado e os portugueses se foram adaptando, o consumo foi-se estendendo para áreas menos essenciais. Houve a necessidade de reconstruir a vida pessoal e profissional à volta da casa, o que levou a investimentos nas áreas do lazer, bricolage e tecnologia", descreve Ana Paula Barbosa.

O ciclo foi retomado agora. "No início de janeiro, voltámos a ter foco importante nas áreas alimentares, principalmente como consequência do trabalho remoto e do fecho de restaurantes e escolas. As tendências vão evoluindo à medida que as restrições se vão alterando. Ainda assim, há tendências que permanecem desde o período pré-covid até aos períodos mais recentes. É o caso dos produtos premium e de indulgência, que continuam a ter procura, provavelmente agora como forma de compensação face às elevadas restrições existentes. É também o caso de produtos biológicos, num contexto em que a preocupação com a saúde nunca foi tão elevada", destaca a responsável da NielsenIQ.

Na hora de encher o carrinho, os consumidores optaram por produtos de alimentação, com a categoria a crescer 14,6%, empurrada pelos mais 23% de congelados, mais 16% de mercearia e mais 7% de laticínios. As bebidas viram as vendas subir 13,1%, com destaque para as alcoólicas (+17%), embora as outras também tenham apresentado uma subida: mais 7%. Mas se na comida são as marcas das cadeias de supermercados a revelar maior dinamismo - um crescimento de 15,8%, acima dos 13,7% das marcas de fabricante -, nas bebidas as marcas de fabricante (+13,9%) crescem acima das de distribuição (+10,3%).

As marcas da distribuição crescem acima das de fabricante desde 2019 e as promoções já representam 47% das vendas nos supermercados

No que respeita à higiene do lar, nas primeiras quatro semanas do ano houve uma subida de 8,3% face ao homólogo. "Neste período, ao contrário do que acontecia em 2019, as marcas da distribuição (+19,3%) crescem acima das de fabricante (+3,5%)", destaca o ScanTrends. A higiene pessoal apresenta um ligeiro crescimento de 0,7% e, "acompanhando a tendência do período homólogo, as marcas da distribuição (+3,4%) crescem acima das marcas de fabricante (-0,4%)".

47% das vendas em promoção

Tendência que não é apenas resultante do impacto económico da pandemia, a procura tem aumentado, mas as ofertas dos super também, revela Ana Paula Barbosa. "As marcas da distribuição crescem acima das de fabricantes desde 2019. A explicação tem mais que ver com a oferta retalhista do que com o contexto vivido desde 2020. Por um lado, o universo de supermercados com elevado peso de marca própria cresce bastante desde 2019; por outro lado, certas insígnias têm apostado no desenvolvimento destas gamas. Por outras palavras, há mais procura na marca própria porque também há mais oferta", diz. E tudo indica que deve manter-se. "Em 2021, as marcas próprias seguirão a crescer. Uma deterioração da situação económica poderá também contribuir para a intensificação deste crescimento", refere a responsável da NielsenIQ.

E a venda em promoção? São "47% das vendas de bens de grande consumo". É menos do que em 2019 (49%) mas bem acima do que é habitual nos principais países da Europa.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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