Mais 200 euros. Prestação da casa segue subida das Euribor e do BCE

Contratos de seis meses a renovar em fevereiro vão ter um agravamento perto dos 200 euros face a agosto. BCE deve voltar a agravar as taxas na reunião de amanhã

Quem vai renovar contratos de crédito à habitação em fevereiro deve contar com um aumento das prestações bancárias, num momento em que as taxas Euribor saltam para máximos e o Banco Central Europeu (BCE) deverá renovar a subida dos juros. Não por acaso, os bancos assinalam um declínio nos empréstimos à casa.

Simulações feitas pela Deco/Dinheiro&Direitos apontam para uma subida de quase 200 euros, no caso de contratos de taxa variável, com um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses e com um spread de 1%. O cliente vai passar a pagar 703,90 euros, ou seja, mais 188,66 euros do que na última revisão, em agosto.

Se o contrato for de três meses, o aumento é menos expressivo: a prestação sobe para 660,66 euros, mais 73,58 euros do que em novembro. Já nos contratos a 12 meses, o aumento será mais significativo, com a prestação a encarecer 295,27 euros, para 745,57 euros, na comparação com janeiro de 2022.

As simulações dos contratos a seis meses tiveram por referência as médias da Euribor em janeiro, que foram de 2,858%. Nos de três meses, a média foi de 2,345%. Nos contratos a 12 meses, foi usada a média a 12 meses em dezembro, de 3,337%.

Ainda ontem, as taxas Euribor (resultam da média das cotações fornecidas por um conjunto de 57 bancos da zona euro) voltaram a atingir novos máximos, acentuando a tendência ascendente que se começou a verificar com mais evidência desde há um ano (4 de fevereiro), quando o BCE deu sinais de pretender aumentar as taxas diretoras, para travar a inflação que já vinha a dar sinais de crescimento, no rescaldo da pandemia, e fazê-la convergir em torno dos 2%.

Ontem, a taxa Euribor a seis meses, a mais usada em Portugal nos créditos à habitação, atingiu os 2,988%, o máximo desde dezembro de 2008. Esta taxa esteve negativa entre 6 de novembro de 2015 e 3 de junho de 2022.

No caso da taxa Euribor a três meses, subiu ontem para 2,512%, um máximo desde dezembro de 2008. Esteve negativa desde 21 de abril de 2015 até 13 de julho último.

Já a Euribor a 12 meses aumentou ontem para 3,415% e está em terreno positivo desde 21 de abril.

Agosto, setembro e outubro de 2021 levaram a inflação na zona euro a atingir o seu nível mais elevado em 13 anos, por motivos que o BCE atribuiu à rápida reabertura da economia, aos preços mais altos dos produtos energéticos e aos seus efeitos de base. O início da invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro do ano passado veio impulsionar ainda mais os preços, sobretudo da energia e da alimentação.

Juros mais altos
No entanto, a taxa de inflação homóloga nos 19 países da zona euro (desde o dia 1 de janeiro de 2023 são 20 países, com a Croácia) recuou em dezembro para 9,2%, quando ainda em novembro tinha sido de 10,1%, e de 5,0% um ano antes. O Eurostat deverá revelar hoje o valor preliminar da inflação de janeiro na Eurozona.

Portugal segue a tendência europeia da curva descendente dos preços, tendo a inflação de janeiro caído para 8,3% (9,6% em dezembro), de acordo com dados preliminares divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística.
Apesar da baixa inflacionista, o BCE deverá voltar a subir as suas taxas diretoras na reunião de amanhã, prosseguindo a estratégia iniciada no dia 21 de julho do ano passado, quando decidiu interromper a política de taxas no zero, em vigor desde 10 de março de 2016.

Neste momento, a taxa de refinanciamento do BCE (referência que os bancos usam para pagar no momento em que pedem dinheiro emprestado ao BCE) está nos 2,5%. De acordo com declarações recentes do presidente do banco central dos Países Baixos e membro do Conselho do BCE, Klaas Knot, amanhã deverá haver um aumento de 50 pontos base, um acréscimo que se deverá repetir em março, para continuar a subir nos meses seguintes. Várias instituições, como a OCDE, estimam que os juros possam subir este ano até aos 4%.

O alto custo do dinheiro foi um dos motivos apontados pelos bancos, a par de uma menor confiança dos consumidores, para a diminuição da procura de crédito à habitação no último trimestre do ano passado, segundo o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito ontem divulgado pelo Banco de Portugal.

Esse recuo deverá manter-se nos próximos meses, com os bancos a manifestarem esperar uma redução da procura por parte das famílias, que será "particularmente acentuada no segmento da habitação", indica o mesmo documento.

Quanto à oferta de crédito, os bancos assumem que está ligeiramente mais restritiva para clientes particulares no crédito à habitação, e justificam isso com a perceção de riscos associados à situação e perspetivas económicas gerais.
Nesse contexto, os bancários admitem um ligeiro aumento do spread (margem de lucro comercial dos bancos) em empréstimos de maior risco, sobretudo na habitação. Com Lusa

Teresa Costa é jornalista do Dinheiro Vivo

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