Lojas e centros comerciais: nunca se vendeu tanto a estrangeiros

Estrangeiros lideraram compra de espaços comerciais e prédios, que superou 1,9 mil milhões em 2015. Foi o maior valor de sempre

O investimento em imobiliário atingiu o valor recorde de 1,9 mil milhões de euros em 2015 e desta vez foram os centros comerciais e as lojas de rua os ativos que mais receberam dos investidores.

Segundo uma análise da consultora Cushman & Wakefield, ontem apresentada, 65% dos 1,9 mil milhões de euros foram aplicados a comprar este tipo de infraestrutura. Foi o caso do Fórum Almada e do Fórum Montijo, comprados pelos norte-americanos da Blackstone. Ou dos Dolce Vita Porto, Vila Real e Coimbra, comprados pelo Deut-sche Bank, do Dolce Vita Tejo, comprado pelos espanhóis da Eurofund Investments, ou da loja da Hermès no Chiado, comprada por um fundo português.

O investimento em edifícios de escritórios - que até agora era dos ativos que captavam mais dinheiro - só recebeu em 2015 cerca de 20% dos históricos 1,9 mil milhões de euros. E um dos exemplos de uma dessas operações foi a venda da Torre Ocidente, uma das torres do Colombo, por 70 milhões de euros.

Houve ainda uns 8% do total para a hotelaria, muito por causa do investimento dos tailandeses da Minor nos Tivoli.

Como se percebe pelos exemplos referidos acima, os estrangeiros foram os que mais investiram neste tipo de imobiliário em 2015. Segundo a Cushman, apenas 10% do capital aplicado foi português "e mesmo esse tem muito dinheiro estrangeiro por trás", disse ontem o diretor-geral da ainda Eric Van Leuven. E nos estrangeiros foram os americanos que estiveram mais ativos em 2015.

Rendas das lojas sobem

Ao contrário do que se podia pensar, devido à crise económica que afetou Portugal nos últimos anos, o interesse dos investidores estrangeiros no país não está relacionado com o facto de os edifícios estarem à venda com algum tipo de desconto. De acordo com o diretor de investimento da Cushman, Luís Rocha Antunes, o interesse é superior ao que era no passado porque as rendas estão mais altas, logo o retorno é maior e o investimento é recuperado mais depressa.

No Chiado e na Avenida da Liberdade as rendas das lojas têm vindo a subir todos os anos e, se em 2013 se pedia, respetivamente, 90 e 80 euros por metro quadrado e por mês, no ano passado já se pediam 97,5 e 87,5 euros. Até na Rua Augusta, onde ainda há muitas lojas com rendas antigas, se verificou um aumento de dez euros nos valores pedidos, estando agora nos 60 euros por metro quadrado e por mês nas lojas mais recentes.

Isto explica-se pelo aumento da procura de lojas de rua. Segundo uma análise não exaustiva da Cush- man, no ano passado abriram perto de 350 lojas em centros comerciais e nas ruas das principais cidades do país. E destes a maior fatia - cem - foram restaurantes. Seguiram-se as lojas de moda, com 87 novas aberturas e depois os serviços, com cerca de 38.

O melhor ano de sempre

Os 1,9 mil milhões de euros de investimento em imobiliário não surpreendem os consultores, que todos os dias de 2015 recebiam pedidos de empresários estrangeiros. Mas foi, sem dúvida, "o melhor ano de sempre", comentou Eric van Leuven, acrescentando que foi também o dobro do conseguido no ano anterior.

Mas nestes 1,9 mil milhões não estão incluídos alguns negócios, como a compra de Vilamoura pelos norte-americanos da Lone Star por 200 milhões de euros. Isto porque a Cushman apenas inclui investimentos para retorno. Ou seja, tudo junto, é um valor ainda mais histórico.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG