Líder nacional de torres eólicas investe 25 milhões em nova fábrica

A ASM Energia é parceira da EDP num projeto de produção de energia eólica offshore. A grande envergadura das torres exige o investimento numa nova fábrica. A empresa está a negociar a localização no porto de Aveiro

A ASM Energia, o maior produtor nacional de torres eólicas, que pertence ao grupo A. Silva Matos, quer multiplicar por quatro a faturação atual e chegar aos 50 milhões de euros em 2020, só por via das energias renováveis. Metade desse valor, espera o responsável da empresa, resultará da produção de torres eólicas on e offshore. Adelino Costa Matos destaca o investimento de 30 milhões de euros em curso, designadamente na expansão da unidade de Sever do Vouga e na construção de uma nova fábrica no porto de Aveiro, ainda em negociação com o Ministério do Mar.

Em 2015, a empresa faturou 13 milhões de euros. Neste ano espera chegar aos 20 milhões, com a entrada em funcionamento de uma nova linha de montagem, um investimento de cinco milhões de euros em Sever do Vouga, e que permitirá aumentar em 40% a sua capacidade produtiva. Para tal, a ASM Energia está a contratar 40 novos funcionários, um processo que não é simples já que, tratando-se de uma região com uma forte presença da indústria metalomecânica, "não é fácil encontrar gente especializada". A opção foi contratar indiferenciados, e formá-los. A ASM Energia conta com cerca de cem trabalhadores dos 400 a que o grupo A. Silva Matos dá emprego. Faturou em 2016 cerca de 50 milhões de euros, o mesmo valor que a ASM Energia pretende atingir em 2020. "Isso posicionar-nos-á, provavelmente, no top 10 europeu de fabricantes de torres e fundações offshore. Queremos ser um player de referência a nível europeu", destaca Adelino Costa Matos.

A produção de torres eólicas em terra é o core business da empresa, com uma experiência acumulada de 12 anos. Arrancou em 2005, associada à ENEOP, um dos consórcios vencedores do primeiro concurso eólico em Portugal, que incluía a EDP, a Enel Green Power e a Generg. Desde 2010, a ASM Energia exporta quase toda a produção para os mercados europeus, e em especial para França e Reino Unido, e para a América Latina. "Com o nosso país sem grandes perspetivas de instalar novos parque eólicos nos próximos anos, estamos a exportar 95% do que produzimos. A nova linha de montagem visa aumentar a capacidade de produção para atender às necessidades crescentes do mercado europeu, mas, também, para nos prepararmos para o futuro. Os países emergentes do Norte de África e da América Latina e os próprios EUA podem vir a ser mercados interessantes", diz Adelino Costa Matos. A expansão visa, também, produzir torres eólicas de maior envergadura.

Agora, a empresa está a apostar nas energias oceânicas, com a produção de torres eólicas e fundações offshore. A primeira estrutura eólica flutuante em Portugal foi produzida, precisamente, pela ASM Energia, em 2011, para o grupo EDP e o seu projeto Windfloat. E, desde 2015, que a ASM Energia é uma das parceiras da EDP noutro projeto de produção eólica offshore, o Demogravi3.

Convicto de que este será um "negócio sustentável por si só", Adelino Costa Matos explica que será autonomizado na ASM Offshore Structures, com uma área de gestão de projetos e de engenharia completamente autónoma. E já que se trata de torres e fundações de enorme envergadura, cinco vezes superiores às produzidas em Sever do Vouga e que poderão atingir até mil toneladas, sendo as fundações estruturas com duas ou três mil toneladas, a empresa precisa de um "grande espaço de fabrico e montagem" e, por isso, pretende construir a nova fábrica num porto. O objetivo é que seja no porto de Aveiro, mas as negociações com o Ministério do Mar não estão, ainda, terminadas. O projeto implicará um investimento da ordem dos 25 milhões de euros e está já aprovado ao abrigo do Portugal 2020. A expectativa é que a nova fábrica possa criar 120 postos de trabalho e que esteja operacional no início de 2019.

A escolha do porto de Aveiro não se deveu, exclusivamente, à proximidade. Bem pelo contrário. O grupo ASM fez um "estudo exaustivo" de vários grandes portos na Europa, designadamente na Irlanda e na Polónia, e acabou por se decidir pelo de Aveiro pelas "excelentes condições" que apresenta e que "até podem ser aproveitadas para a criação de um cluster de energias oceânicas", defende Adelino Costa Matos.

Ainda ligada à construção de estruturas metálicas e ao mar, a ASM está a estudar a hipótese de avançar com a produção de grandes estruturas de aquacultura para o alto mar, uma área com potencial, acredita. "Estamos a criar condições com parceiros para explorar este novo desenvolvimento de negócio, mas é prematuro estimar o seu potencial", afirma.

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