Jovens licenciados portugueses com maior probabilidade de terem salários baixos

Relatório da OCDE revela que os jovens portugueses com ensino superior têm também maiores dificuldades em chegarem a patamares salariais mais elevados.

A perspetiva não é a mais otimista para quem entrou nos últimos anos ou está prestes a entrar no mercado de trabalho. A probabilidade de os jovens licenciados portugueses terem salários baixos é uma das mais elevadas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE).

Num relatório divulgado esta quinta-feira, dia 25 de abril, a OCDE refere que "os maiores aumentos na probabilidade de baixos salários foram registados em Portugal (16 pontos percentuais), Irlanda (17 pontos percentuais) e Espanha (20 pontos percentuais)." Os dados analisados pela organização sedeada em Paris referem-se às variações percentuais entre 2006 e 2016, quando o ganho mensal mediano era de 800 euros, de acordo com as estatísticas do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

A organização considera que um salário baixo corresponde a dois terços do ganho mediano, enquanto um salário elevado equivale a 1,5 vezes o ganho mediano.

Mas o problema também se coloca, ainda que em menor grau, para os jovens com qualificações médias. A probabilidade deste grupo ter um salário baixo também aumentou em dez anos. Neste caso, Portugal surge a meio da tabela, acima, mas muito próximo da média da OCDE.

Também difícil escalar para salários mais altos

Os jovens licenciados portugueses têm uma dificuldade adicional comparando com os pares da OCDE. Além de a probabilidade de terem salários baixos ser das mais elevadas, também chegar a patamares de remuneração mais elevados também se revela difícil.

Na análise da organização, a probabilidade é a mais baixa entre os 32 membros da organização. De acordo com os dados, um jovem com o ensino superior tem apenas 25% de hipóteses de chegar a um salário elevado. Tendo em conta o conceito adotado, significa ter um ganho mediano de cerca de 1350 euros mensais.

O período engloba a entrada na crise, o resgate financeiro e a "saída limpa" do programa de ajustamento da troika.

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