Web Summit ajuda a fazer tese de mestrado

Trabalham em turnos de seis horas mas em troca recebem o futuro. Momentos como o do empresário que se levantou no Meo Arena e fez um discurso anti Trump, mobilizador, marcam estudantes que sonham em mudar o mundo

Há momentos na vida que ficam para sempre. Para João Santos, um estudante universitário de Gestão, de 19 anos, voluntário na Web Summit, um desses momentos aconteceu no interior do Meo Arena, na quarta-feira, quando já sesabia em Portugal o resultado das eleições norte-americanas. "Foi quando o investidor norte-americano Dave McLure se levantou e apelou a todos na plateia para se levantarem também e fazerem tudo para mudar, depois de se saber que Donald Trump tinha ganho as eleições nos Estados Unidos". Nesse instante, João teve uma epifania e repetiu para si: "é verdade, é verdade...". Também não esquece a cerimónia de abertura da Nasdaq: "Foi em direto, eu estava quase na frontline a ver aquilo a passar às 9.25 em Nova Iorque e pensei: "Bem, a malta em Nova Iorque está a ver que isto se passa em Lisboa, num país pequenino".

Os voluntários como João podiam formar as nações unidas: vêm de todos os cantos do mundo. Vestem t-shirt vermelha onde se lê "volunteer Web Summit 2016" e são autênticos faróis para os 50.000 participantes do evento que chegam ao recinto do Parque das Nações, em Lisboa.

João Santos, que estuda no 2º ano de Gestão da Universidade Nova de Lisboa, foi um dos 2500 jovens aceite no programa de voluntários da Web Summit. Está na operations team, no info desk. Sim, que ali tudo se escreve e diz em inglês. A troco de turnos de seis horas, João recebeu um admirável mundo novo de tecnologia e start ups. "Registei-me em janeiro assim que abriram as candidaturas. Vi no voluntariado a oportunidade de ter acesso a tudo o que o evento tem para oferecer sem ter de pagar os bilhetes, que são caríssimos". O que o entusiasmou mais foi a área d e negócios: "Criar uma empresa, fazê-la crescer, como o Facebook e o Snapchat, que surgiram do nada e agora são revolucionárias". Para o ano João só não volta à Web Summit como voluntário porque estará no RISE em Honk Kong (julho de 2017), um evento similar.

Para Kreet Tatrik, de 28 anos, oriunda da Estónia, o voluntariado na Web Summit faz parte já de um projeto académico. "Eu estou a fazer em Lisboa o mestrado em International Management no ISCTE. Como este é o maior evento tech do mundo, estou a pensar escrever a minha tese de mestrado sobre isto. O meu background académico não é relacionado com a tecnologia. Por isso quis ver por dentro, ter algum contexto e também estar atenta a algumas das palestras". O ponto alto para Kreet foi na quarta-feira com "a robô Sophia, que é o mais inteligente até agora, creio. Foi excitante e assustador. Sabemos que eles são mais espertos do que nós será que isso se pode virar contra nós?". Recorda também a intervenção de Sean Rad, CEO da base de encontros Tinder. Está rendida. "Estou a pensar inscrever-me de novo como voluntária, acho que estão quase a abrir as inscrições para o ano".

Rute Luz, de 22 anos, estudante de Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico (IST), ficou entusiasmada com o que viu e ouviu na área da inteligência artificial e realidade virtual. "Tenho uma cadeira que é inteligência artificial por isso veio mesmo a calhar". Também gostava de voltar para o ano como voluntária. Com Rute estavam o seu colega de curso João Fernandes, 22 anos, e Matheus Barreiros, 21, de Gestão de Energia no IST. Matheus gostava de voltar como participante para aproveitar mais os eventos. João Fernandes, que está no último ano de Engenharia Aeroespacial, está na parte mecânica do curso. "A minha área é fora do âmbito da Web Summit. Uma colega inscreveu-me. Informei-me e percebi que havia palestas de robótica e inteligência artificial. Gostei muito de uma palestra sobre condução autónoma".

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