Wall Street fecha com terceiro recorde consecutivo do Dow Jones

O Dow Jones beneficiou da subida da ação Boeing

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem direção, mas com o terceiro recorde consecutivo do índice Dow Jones Industrial Average, graças à valorização da Boeing, com os outros a cederem à especulação sobre a política monetária norte-americana.

Os resultados definitivos da sessão indicam que Dow Jones Industrial Average valorizou 0,20%, para uns inéditos 22.203,48 pontos.

Ao contrário, o Nasdaq cedeu 0,48%, para as 6.429,08 unidades, e o S&P 500 recuou 0,11%, para as 2.495,62.

A sessão foi marcada pelo anúncio de uma subida do índice de preços no consumidor em agosto, devido aos aumentos verificados pelos custos de energia e alugueres de casas. Neste mês, a subida de 0,4% foi a mais forte registada em sete meses.

Em termos anuais, o ritmo de crescimento da inflação subiu dos 1,7% de julho, para os 1,9% ocorridos em agosto.

Perante este indicador, "a questão é agora saber o que a Reserva Federal (Fed) vai fazer na próxima semana, durante a sua reunião de política monetária", destacou Quincy Krosby, da Prudential.

A Fed já subiu as suas taxas de juro de referência por duas vezes este ano e os seus dirigentes deixaram entender em junho que uma nova subida estava prevista até ao final deste ano. Mas a persistência de uma inflação fraca está a dividir os membros do comité de política monetária (FOMC, na sigla em Inglês) quanto ao calendário a seguir.

"Janet Yellen [a presidente do Fed] vai dar sinais quanto a uma nova subida das taxas de juro? Duvido, tanto mais que a Fed vai sem dúvida querer esperar se vai haver ou não uma reforma fiscal", observou esta analista.

"Mas a probabilidade de uma subida das taxas ganhou claramente terreno entre os investidores", acrescentou.

Esta perspetiva arrefece os investidores em Wall Street, que têm beneficiado nos últimos anos das baixas taxas de juro.

Para Peter Cardillo, da First Standard Financial, o S&P 500 e o Nasdaq, que tinham fechado com valores recorde na quarta-feira, estiveram hoje "simplesmente a sofrer com a realização de algumas mais-valias antes da expiração de vários contratos financeiros na sexta-feira", dia em que os investidores devem alienar posições em vários produtos derivados.

O Dow Jones, por seu lado, beneficiou da subida da ação Boeing, que valorizou 1,36% na sessão, que tem um peso particularmente elevado neste índice.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.