Volkswagen corta 30 mil postos de trabalho. Autoeuropa não será afetada

Objetivo é poupar quatro mil milhões de euros. Fábricas mais afetadas serão as alemãs

A Volkswagen anunciou hoje o despedimento de 30 mil trabalhadores em todo o mundo, 23 mil dos quais na Alemanha, no quadro de um plano de recuperação e de desenvolvimento dos veículos elétricos.

Herbert Diess, responsável máximo da empresa, disse hoje, em conferência de imprensa, em Wolfsburg, que a supressão de 23 mil postos de trabalho vai atingir as fábricas da Alemanha durante os próximos quatro anos.

Os restantes sete mil trabalhadores vão ser despedidos nas fábricas da Volkswagen no resto do mundo mas os locais não foram especificados.

Segundo a Volkswagen, a medida vai conseguir uma poupança de 3,7 mil milhões de euros por ano, até 2020.

Ao Público, fonte da Autoeuropa garante que a fábrica de Palmela não será afetada pelos cortes e que o plano de investimento mantém-se inalterado. "Indiretamente, poderá haver algum esforço adicional de contenção de custos em todas as fábricas", admitiu a mesma fonte, frisando que não serão cortados postos de trabalho em Portugal.

A Autoeuropa está atualmente a produzir os modelos Volkswagen Sharan, Seat Alhambra e Volkswagen Scirocco; a partir do próximo ano, começará a produção de um novo SUV da Volkswagen, que levará à contratação de cerca de um milhar de trabalhadores.

Em declarações à TSF, António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, pediu que a notícia dos despedimentos fosse encarada com tranquilidade e diz não ter receios em relação aos 273 trabalhadores portugueses, quadros da fábrica de Palmela, que foram requisitados para trabalhar na na Alemanha durante dez meses. "O pior que poderá acontecer a esses trabalhadores é eles voltarem para a Autoeuropa, mas penso que para já isso não está em cima da mesa, a curto prazo".

O fabricante automóvel foi afetado há cerca de um ano pelo escândalo da manipulação dos valores das emissões poluentes nos veículos a gasóleo, que ficou conhecido por "Dieselgate".

As comissões de trabalhadores da Volkswagen a nível mundial vão reunir-se na Alemanha entre os próximos dias 5 e 8 de dezembro.

A Volkswagen concordou pagar 15 mil milhões de dólares às autoridades norte-americanas e aos proprietários de cerca de meio milhão de veículos da marca, nos Estados Unidos, que não possuíam o equipamento eletrónico de controlo de emissões de gases.

Em todo o mundo, foram vendidos 11 milhões de carros nas mesmas condições.

Volkswagen admitiu no último ano que tinha equipado milhões de carros, movidos a gasóleo, vendidos em todo o mundo, com aparelhos que reduziam o óxido de nitrogénio durante os testes das emissões poluentes, mas que depois, em condições habituais de condução, permitiam que as emissões superassem em mais de 40 vezes os limites autorizados.

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