Investimento entre agosto e outubro ascendeu a 102,8 milhões de euros

O investimento captado dos vistos 'gold' entre agosto e outubro ascendeu a 102,8 milhões de euros, dos quais 93 milhões de euros correspondem à compra de imóveis, de acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

No final de julho, o investimento acumulado por via da Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARI), também conhecida como visto 'gold', atingiu os 3.223.403.061,34 euros.

Em agosto e setembro, o SEF não publicou as estatísticas mensais acumuladas, só voltando a divulgá-las em outubro, altura em que o investimento acumulado ascendia a 3.326.273.404,63 euros.

A Lusa pediu por várias vezes os mapas de agosto e setembro e questionou o SEF sobre a razão de os dados não terem sido publicados naqueles meses, ao contrário do que tem acontecido, tendo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) reiterado que "o tratamento estatístico solicitado, dos dados cumulativos referentes a agosto e setembro, foi efetuado englobando os três meses (agosto, setembro e outubro), pelo que foi disponibilizado o respetivo mapa cumulativo no mês de outubro".

De acordo com contas feitas pela Lusa, de agosto até final de outubro o investimento total captado foi de 102.870.343, 29 euros, dos quais 93.147.494,2 euros por via de aquisição de imóveis e 9.722.849,09 euros pelo critério de transferência de capital.

Neste período, foram atribuídos 169 vistos 'dourados'.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.