Vendas de veículos elétricos sobem 210% com cheque de 2250 euros

Incentivo fiscal criado em 2017 premeia apenas mil unidades. Ao ritmo atual, deverá acabar antes do final do ano

As vendas de automóveis elétricos aumentaram 210% em janeiro face ao mês homólogo do ano passado, quando se venderam ao todo 756 carros elétricos, revelam os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). A aceleração neste segmento, que tem sido menos preferido entre os veículos à base de energias alternativas em Portugal, tem tudo que ver com o incentivo do governo para 2017, defende a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE). E a este ritmo, os mil cheques de 2250 euros que o Fundo Ambiental dispõe para a aquisição de automóveis elétricos vão acabar antes do final do ano.

"O incentivo vai esgotar rapidamente, visto que é acessível quer a particulares quer a empresas", diz Henrique Sánchez, presidente da UVE. "É pouco, mas é um princípio e, havendo ainda poucos carros elétricos no país [2170 vendidos entre 2000 e janeiro de 2017], sempre contribui para divulgá-los", acrescenta o entusiasta da mobilidade elétrica, lamentando apenas que o incentivo seja "burocrático, pois era mais simples um desconto no IVA, como sucede lá fora". A associação defende também um incentivo a mais veículos elétricos, como os de duas rodas e todas as espécies de híbridos, que ainda são os que mais se vendem.

Em janeiro deste ano, venderam-se 400 carros híbridos plug in (+23,8% homólogos) e 326 híbridos convencionais (+37,6% homólogos). Os mais procurados são os híbridos convencionais gasolina/eletricidade, cujo aumento de vendas no mesmo período foi de 86% (262 unidades face a 141 há um ano). São estes os veículos ligeiros de passageiros com energias alternativas mais vendidos desde o ano 2000: 21 890 unidades. Os automóveis elétricos venderam +210% em janeiro deste ano face ao homólogo de 2016: dos 31 de janeiro de 2016 já se vendeu perto de uma centena só em janeiro de 2017.

"Ainda são números pequenos, mas acredito que as pessoas estão a começar a acordar e a perceber que, mesmo tendo um valor de aquisição mais elevado, vai acabar por compensar", explica Marcos Lopes, da UVE. O aumento da rede de postos de abastecimento rápido e a remodelação dos convencionais, após cinco anos de abandono e degradação, deverão ajudar, "diminuindo a ansiedade da autonomia que ainda preocupa os utilizadores".

No lado oposto, em janeiro deste ano, os automóveis diesel venderam +8,6% face ao mês homólogo de 2016 (9745 contra 8973 unidades) e os carros a gasolina venderam +2,8% (4692 comparado a 4562 unidades). "Vai demorar algum tempo, mas não tenho dúvidas de que a mentalidade vai mudar e o governo deve dar o empurrão, inclusive ampliando os incentivos a outros veículos ecológicos, ainda que possam não ser 100% elétricos", remata Henrique Sánchez.

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