Um terço da retoma vem de vendas de carros, hotéis e restaurantes

Produto interno bruto teve aumento homólogo de 1,6% e de 0,8% em cadeia. Já o investimento caiu 3,1%, o pior desde início de 2013

O produto interno bruto (PIB) português cresceu 1,6% no terceiro trimestre face a igual período de 2015, são mais 691 milhões de euros adicionados à economia interna ao longo de um ano, em termos reais (descontando o efeito da inflação).

Cerca de um terço do ganho veio das vendas e reparação de veículos, do alojamento e da restauração, indicou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). Aquelas três atividades juntas adicionaram mais 254 milhões de euros à riqueza interna. Os hotéis e os restaurantes estão especialmente ligados a um setor em forte ascensão em Portugal - o turismo.

O acréscimo do PIB total resulta dos contributos positivos e negativos dos vários setores de atividade. Dos oito ramos identificados na economia, seis estão a crescer e dois estão a perder valor acrescentado bruto.

Além do turismo, o setor que está a servir de alavanca ao crescimento da economia portuguesa, o INE mostra que, em termos reais, as outras atividades de serviços contribuíram com mais 80 milhões de euros para o referido crescimento homólogo, a indústria deu mais 52 milhões, a agricultura, silvicultura e pesca ajudou com 43 milhões, o ramo energia, água e saneamento acrescentou 42 milhões de euros e os transportes e armazenagem, atividades da informação e comunicações somaram mais 40 milhões ao PIB.

A perder e a prejudicar a retoma, como tem sido hábito nos últimos anos, surgem o ramo da construção (menos 44 milhões de euros) e as atividades financeiras, de seguros e imobiliárias (desvalorização de 95 milhões de euros). A construção está em declínio desde 2007; o valor acrescentado dos bancos, seguradoras e negócios imobiliários está a afundar desde 2011, mostram as séries longas disponibilizadas pelo INE.

Ontem, o INE confirmou o crescimento homólogo de 1,6% no terceiro trimestre. A economia acelerou já que no trimestre precedente tinha avançado 0,9%. Em cadeia, isto é, face ao segundo trimestre, a riqueza interna expandiu-se 0,8%, como já constava há cerca de 15 dias da estimativa provisória.

"O crescimento mais intenso do PIB refletiu sobretudo o aumento do contributo da procura externa líquida" pois as exportações denotaram uma "aceleração mais acentuada" do que das importações.

Essa expansão de 1,6% iguala a do terceiro trimestre do ano passado. Juntamente com essa marca é o melhor registo trimestral desde 2007 (quando o PIB cresceu 2,1% no terceiro trimestre).

A marca alcançada no terceiro trimestre surpreendeu quase todos os analistas que estavam a apontar para um crescimento médio homólogo de apenas 1,1%.

O consumo privado (das famílias), o agregado mais importante do PIB, representando cerca de dois terços da procura, aumentou 1,9%, reforçando assim face à marca do segundo trimestre (1,6%). "Esta evolução deveu-se à aceleração do consumo privado em bens não duradouros e serviços, que apresentou uma variação homóloga de 1,5% (1% nos três meses anteriores).

Em sentido oposto, o consumo de bens duradouros desacelerou", para 6,2% "refletindo, em larga medida, a evolução da componente automóvel".

O investimento colapsou 3,1%, naquele que é o pior registo desde o início de 2013. Estava a cair 2,3% no segundo trimestre. A crise na construção continua a ditar este desempenho medíocre, não sendo compensada pela recuperação do investimento em equipamentos e veículos.

As exportações foram a componente que mais ganhou. Aumentaram 5,4% em termos reais, melhor do que os 1,8% no período de abril-junho. As importações também ganharam força, mas não tanto. Cresceram 3,5%.

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