Um quarto das empresas vai contratar para crescer lá fora

A internacionalização "já faz parte do ADN" das PME portuguesas, conclui o segundo inquérito Insight da Câmara de Comércio

Quase metade dos gestores em Portugal estão otimistas quanto à atividade internacional das suas empresas em 2018. E não admira: 63% das pequenas e médias empresas (PME) nacionais preveem crescer nos mercados externos e 43% propõe-se mesmo investir mais na internacionalização. Boas notícias para os trabalhadores: mais de 26% dos empresários querem contratar funcionários para apoiar o crescimento. "O processo de internacionalização começa a fazer parte do ADN das empresas e as startups já são criadas a pensar no mercado global", diz Andreia Jotta, diretora de marketing da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP).

Estes são dados do segundo inquérito Insight sobre a internacionalização das pequenas e médias empresas nacionais, um estudo CCIP em colaboração com o E-Monitor, cujos resultados são hoje apresentados em Lisboa. E permitem concluir, acrescenta Andreia Jotta, que "as empresas portuguesas já perceberam que o mercado interno é limitado e que têm de ir trabalhar para outras geografias para poderem crescer".

Neste segunda edição foi desenvolvido um novo indicador, sobre a confiança os gestores, o índice mood, que mostra que "os empresários estão mais otimistas, com grande expectativas de crescimento nos mercados internacionais", destaca Andreia Jotta. O que é natural, atendendo a que 45% dos inquiridos entraram, pelo menos, num mercado novo em 2017. Destes, 20% estão mesmo a iniciar atividade exportadora em duas a cinco novas geografias. Por isso, para este ano, 65% dos inquiridos esperam aumentar o número de mercados em que atuam, sendo certo que 19% mantêm o propósito de assegurar dois novos destinos para os seus produtos. Significativo é saber que 38% das empresas internacionalizadas estão presentes em mais de cinco mercados.

E quais são os principais destinos na mira dos empresários portugueses? Os Estados Unidos lideram o ranking, seguidos de Alemanha, França, Brasil e Reino Unido.

Questionados sobre os riscos com que se confrontam na sua atividade internacional, 54% dos empresários apontam os riscos de cobrança e 34% os riscos cambiais. A solução, para 59% dos inquiridos, tem sido receber primeiro, entregar depois e 67% escolhem a moeda de faturação procurando anular riscos cambiais.

Por outro lado, as novas tecnologias estão a dar uma ajuda preciosa para quem quer chegar ao mercado global, fazendo o trabalho de casa prévio ou de acompanhamento dos mercados à distância. "O e-mail é o canal mais utilizado para alavancar os contactos internacionais (96% dos inquiridos), mas, paralelamente, os empresários valorizam ainda muito o estar frente a frente com potenciais parceiros, sobretudo no primeiro contacto", refere Andreia Jotta. Por isso, 55% indicam a participação em feiras como uma das estratégias "mais consagradas" de promoção comercial, prospeção de mercado e angariação de clientes.

Para crescer lá fora é preciso dinheiro e 43,5% dos inquiridos indicam que pretendem aumentar os investimentos para reforçar a posição nos mercados onde se encontram. No ano passado eram apenas 39,7%. Em contrapartida, só 37,5% pretendem investir mais na busca de novos destinos e 30,1% - quase mais cinco pontos percentuais do que há um ano - vão investir mais para crescer em Portugal.

E se é verdade que 39% dos empresários assumem precisar de aumentar o número de pessoas afetas à atividade internacional, só 26,3% são taxativos em afirmar que vão contratar. Mas a maior preocupação dos gestores é na formação: 45,5% dizem que precisam de aumentar a qualificação dos recursos humanos para "melhor poderem interagir" com as suas contrapartes internacionais. "Esta intenção de reforço das estruturas de recursos humanos mostra que os gestores valorizam cada vez mais a componente de internacionalização e estão dispostos a valorizar também as suas equipas", salienta Andreia Jotta.

O trabalho resulta da auscultação a 761 PME, das quais 600 exportadoras, sendo a amostra composta por 40% de empresas industriais, 20% de serviços e 11% de comércio. Construção, transportes, alojamento e serviços de porta aberta compõe o restante painel. Em termos de dimensão, 27% faturam menos de 249 mil euros, 19% até um milhão, 41% entre um e dois milhões, 27% entre dois e dez milhões e os restantes 9% até 50 milhões de euros.

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