Uber já pagou mais de um milhão de euros em multas em Macau desde outubro

Serviço de transporte que funciona com aplicação de smartphone é considerado ilegal pelas autoridades

A empresa de transporte privado Uber, cujo serviço funciona a partir de uma aplicação de telemóvel, já pagou mais de um milhão de euros em multas em Macau desde outubro, quando começou a operar na região chinesa.

A informação foi avançada hoje, num balanço sobre criminalidade, pelo comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública, Leong Man Cheong, que indicou que foram pagas 346 multas relativas a 379 infrações registadas desde outubro, correspondendo a 10,38 milhões de patacas (1,15 milhões de euros).

"A prestação de serviço de transporte remunerado é ilegal, independentemente de se traduzir num transporte em veículos privado ou através da aplicação móvel para 'smarthphones', pelo que as autoridades policiais vão aplicar rigorosamente a lei e ampliar a sensibilização sobre essa matéria, no intuito de assegurar a ordem do tráfego e os legítimos direitos e interesses do público", disse hoje o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak.

O serviço da Uber, que põe motoristas privados em contacto com potenciais passageiros através de uma aplicação de telemóvel, é considerado ilegal pelas autoridades de Macau, que com base no Regulamento do Trânsito Rodoviário aplicam multas de 30.000 patacas (3.300 euros) nos casos em que "os veículos são utilizados em serviço remunerado com finalidade diferente da autorizada ou da constante da sua matrícula".

Na semana passada, a imprensa local noticiou que a controversa empresa norte-americana de transporte Uber, com sede em San Francisco, ponderava sair de Macau a partir de setembro, devido às multas.

"Não tenho nada a comentar sobre a aplicação (móvel) de transporte. As entidades públicas têm atuado conforme a lei. (...) É uma forma para tentar dizer que o governo está a pressionar para saírem de Macau. Mas posso dizer que o governo não pressionou. Quando há uma lei temos de cumpri-la", disse hoje Wong Sio Chak.

A Uber não confirmou nem desmentiu a eventual saída de Macau. Em comunicado da diretora-geral da Uber Macau, Trasy Lou Walsh, a empresa informa que espera "continuar a fornecer serviços cómodos para os passageiros e oportunidades económicas para os motoristas que utilizam a plataforma Uber todos os dias, dentro de um ambiente ao nível da regulamentação amigo da inovação e sem multas proibitivas".

Macau, com uma população superior a 650 mil pessoas e com cerca de 30 milhões de visitantes por ano, tem apenas 1.400 táxis, número que até ao final do ano deverá passar a 1.600 com a emissão de novas licenças.

Macau já teve uma companhia de radiotáxis, mas este serviço foi descontinuado há cerca de dois anos, quando o governo decidiu não renovar o contrato com a empresa.

Hoje, o secretário para a Segurança recordou que a Direção dos Serviços dos Assuntos de Tráfego (DSAT) abriu concurso para 100 licenças especiais de táxi e disse ter conhecimento que uma associação local manifestou interesse em ter uma aplicação móvel.

No primeiro semestre foi registado um aumento de 55,9% nos casos de transporte ilegal, num total de 290 casos (comparando com os 186 casos entre janeiro e junho de 2015).

Wong Sio Chak disse também que as autoridades vão manter a "tolerância zero contra as infrações cometidas pelos taxistas", as quais diminuíram 30,5% (de 3.037 para 2.112 casos) no primeiro semestre do ano.

Pequim legalizou no início de agosto as atividades da Uber, da Didi Chuxing e de outras aplicações de transporte.

Na mesma altura foi noticiado que a Uber e a Didi Chuxing vão fundir as suas operações na China, pondo fim a uma renhida competição pelo mercado da segunda maior economia mundial.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.