Trump aplica taxas ao alumínio e aço e reacende guerra comercial

As compras de aço e alumínio à UE vão passar a estar sujeitas a taxas aduaneiras à entrada nos Estados Unidos. Bruxelas já disse que não tem "escolha" a não ser responder

Depois de ter mantido a União Europeia (UE), o Canadá e o México em lume brando durante dois meses, a administração norte-americana decidiu aplicar taxas aduaneiras sobre as importações de aço e alumínio oriundas destas economias. Em Lisboa, acompanhada por António Costa, a chanceler alemã, antes de ser anunciada a decisão de Donald Trump, garantia que a UE "tem uma posição clara" sobre o assunto: "Essas taxas não estão de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio".

No início de março o presidente dos EUA anunciou a aplicação de tarifas sobre estas matérias-primas, tendo cerca de duas semanas depois dado - à semelhança do que já tinha acontecido com o México e o Canadá - uma isenção temporária às exportações da UE. A isenção foi renovada, mantendo-se em vigor até ao fim de maio. Enquanto isso, Bruxelas e Washington negociavam por um lado, enquanto o Canadá e o México travavam outra batalha. A isenção a estes dois vizinhos foi justificada pelo facto de estar em curso a renegociação do NAFTA, acordo comercial que liga os três países. Mas estas negociações estão agora paradas, devido a regras para o setor automóvel, de acordo com o Financial Times. Com a Europa, a questão é diferente. Os Estados Unidos terão estado a pressionar Bruxelas para diminuir as importações de automóveis em troca de uma isenção para o aço. Washington terá colocado também em cima da mesa uma limitação para as importações europeias de aço e alumínio para o mercado americano. Objetivos que, acrescenta o jornal, esbarraram na Alemanha e na França.

Perante este cenário, a administração americana entendeu que as negociações não permitiram que fosse alcançado um acordo e decidiram retirar a isenção. As exportações de aço europeias que entrem em solo americano passam a pagar a partir de hoje uma taxa de 25% e as de alumínio uma tarifa de 10%.

Os EUA socorrem-se de uma secção da lei do comércio, da década de 1960, que permite a aplicação de barreiras comerciais quando as importações de bens representem uma ameaça à segurança nacional, para justificarem estas medidas. "Continuamos disponíveis e interessados em ter mais discussões com todas as partes", avançou ontem Wilbur Ross, secretário do Comércio dos EUA, citado pela Bloomberg. "Esperamos as suas reações."

A resposta da União Europeia não tardou e parece colocar mais achas num tema que, embora tivesse perdido algum gás, começa a aquecer novamente: a guerra comercial. Como já tinha prometido, a Comissão Europeia vai reagir na mesma moeda. A partir de 20 de junho, Bruxelas vai aplicar taxas alfandegárias sobre bens americanos no valor de 2,8 mil milhões de euros. Na lista de produtos que podem ser taxados estão motociclos, vestuário e vinho.

"Os EUA deixam-nos agora sem escolha a não ser proceder com um caso de resolução de litígios [junto] da Organização Mundial do Comércio e com a imposição de obrigações acessórias sobre um número de importações dos Estados Unidos", disse ontem à tarde o presidente da Comissão Europeia. "Vamos defender os interesses da União, em total conformidade com as leis do comércio internacional", acrescentou Jean-Claude Juncker, citado pela Bloomberg.

Resposta mais dura chegou de Berlim. Já depois da tomada de posição de Merkel em Lisboa, Steffen Seibert, porta-voz da chanceler, sublinhou que a Alemanha "rejeita as tarifas impostas pelos EUA sobre o aço e alumínio". "Consideramos esta medida unilateral e os receios [em torno] da segurança nacional, dados como motivo, não podem ser mantidos. Estas medidas geram o risco de criar uma escalada que vai ser prejudicial para todos."

O governo português argumentou ontem, ainda antes de ter sido desvendado este desfecho, que agirá "sempre em conjunto na prossecução daquilo que é o interesse comum da Europa; uma Europa que quer continuar a participar num mundo onde as fronteiras não se fechem às pessoas, mas também onde não se criem barreiras à circulação de comércio, porque é um fator de prosperidade que devemos preservar".

O Reino Unido, que está a menos de um ano de deixar a União Europeia, manifestou-se "profundamente desapontado" com a decisão norte-americana. "Deixamos claro ao governo dos Estados Unidos a importância do aço e do alumínio britânico para os seus projetos de defesa e negócios", declarou o governo britânico em comunicado citado pelas agências internacionais.

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