Tesouro melhora perfil da dívida dias antes da Fitch

Estado está a aproveitar o final do ano para baixar custo médio e estender prazos

O Tesouro está a aproveitar as condições favoráveis do mercado para fazer operações de gestão da dívida, de forma a melhorar o perfil de refinanciamento. Além de ter acelerado os reembolsos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) concluiu ontem uma operação de troca de obrigações. Recomprou mais de mil milhões de euros em títulos que venciam em 2019 e 2020 e trocou-os por novas obrigações com maturidade em 2022 e 2027.

"O Estado consegue estender o prazo da dívida, num momento em que as taxas de juro estão historicamente baixas", disse o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva. Acrescenta que "o juro que se ficará a pagar pela dívida nova é inferior ao juro médio da dívida portuguesa", o que poderá permitir poupanças com o fardo da dívida. Esta operação surge depois de Portugal ter reembolsado mais 2,78 mil milhões de euros ao FMI em novembro, mês em que fechou o objetivo do valor a ir buscar aos mercados em dívida de médio e longo prazo.

E se aquele valor já era mais elevado do que o inicialmente previsto, os pagamentos antecipados ao fundo vão acelerar ainda mais. O governo conta amortizar mais 500 milhões de euros até final do ano. Estas operações para baixar o custo e estender os prazos da dívida, de forma a diminuir o risco de refinanciamento, são um dos elementos analisados pelos investidores e pelas agências de rating. E surgem poucos dias antes de a Fitch se manifestar sobre Portugal. A agência tem a notação a um passo de sair de lixo e pronuncia-se sobre o país no dia 15 deste mês.

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Pode a clubite tramar um hacker?

O hacker português é provavelmente uma história à portuguesa. Rapaz esperto, licenciado em História e especialista em informática, provavelmente coca-bichinhos, tudo indica, toupeira da internet, fã de futebol, terá descoberto que todos os estes interesses davam uma mistura explosiva, quando combinados. Pôs-se a investigar sites, e-mails de fundos de jogadores, de jogadores, de clubes de jogadores, de agentes de jogadores e de muitas entidades ligadas a esse estranho e grande mundo do futebol.

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"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.