Terrorismo, clima e as novas medidas do crescimento em debate em Davos

Segurança apertada em Davos

O World Economic Forum começa quarta-feira e só quatro portugueses marcam presença na reunião de topo: Durão Barroso, Ângelo Paupério (pela Sonae), Pedro Soares dos Santos e Henrique Soares Santos (presidente e administrador da Jerónimo Martins).

O que leva Leonardo Di Caprio, o rosto dos BlackEyed Peas, will.i.am e a atriz chinesa Yao Chen à mais luxuosa estância de ski da Europa? Não é a oportunidade de fazer pistas pretas ao lado do Príncipe Carlos de Inglaterra. Os três vão participar na reunião anual de líderes mundiais em Davos, na Suíça, não pelos seus dotes artísticos mas pelo seu contributo em áreas de grande relevância.

O ator principal de The Revenant tem sido uma das caras mais relevantes no combate às alterações climáticas; a atriz chinesa destaca-se pelo seu trabalho na crise dos refugiados e o músico pelos esforços empreendidos no campo da educação dos mais pobres. A sua presença em Davos, entre os dias 20 e 23 de janeiro, servirá para ajudar a chamar a atenção para estas questões.

A Quarta Revolução Industrial é o tema que vai servir de chapéu a mais uma edição do exclusivo clube que anualmente junta os chefes de Estado do G20, banqueiros, economistas, empresários e gestores de topo na Suíça para debater os temas que marcam a atualidade mundial. Mas em destaque vão estar três temas que mudaram o mundo como o conhecemos: o terrorismo, as alterações climáticas e a nova ordem económica mundial.

Num encontro em que o custo por pessoa ultrapassa os 40 mil dólares e onde se juntam algumas das pessoas mais importantes do mundo, a segurança é absolutamente apertada - os níveis de acesso são distintos para os diferentes participantes, a chegada, reuniões e alojamento são vigiados 24 horas por dia por mais de 5 mil soldados que vão patrulhar a estância de ski durante a semana. No ano passado, os custos de segurança ultrapassaram os 7 milhões de euros. E é natural que este ano haja um reforço das forças de segurança.

Segurança, terrorismo e a crise dos refugiados

Desde o ataque ao Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, a Europa foi obrigada a olhar seriamente para as questões de segurança e a alterar prioridades. Com os atentados que se seguiram, e que afetaram sobretudo França - onde morreram mais de 150 pessoas em quatro ataques num ano, o último dos quais o mais sangrento, levado a cabo num café, numa sala de espetáculos e à porta de um estádio, em Paris, em simultâneo - mas tiveram importantes consequências também para o resto da Europa, o terrorismo passou a estar no centro das preocupações políticas.

Depois dos ataques mais mortais que a Europa sofreu desde o atentado no Metro de Madrid, em 2004, chefes de Estado como François Hollande e Angela Merkel declararam guerra ao Estado Islâmico, tornaram o terrorismo na sua prioridade absoluta, mas não conseguiram evitar que ganhassem força os movimentos extremistas por toda a Europa. Nem que a entrada dos milhares de refugiados que chegaram, fugidos da guerra na Síria e dos países onde o Estado Islâmico ganha força, fosse vista como uma ameaça.

Como podem as sociedades preparar-se para as rápidas e radicais mudanças que estamos a viver na segurança? De que forma as novas tecnologias dificultam o combate ao terrorismo? Que intervenção deve ser feita para suavizar os desequilíbrios entre economias estagnadas e países prósperos para evitar a radicalização? Estas e outras questões de segurança mundial serão discutidas este ano em Davos. O equilíbrio entre o combate sério ao terrorismo e como lidar com a crise dos refugiados será levado ao palco do World Economic Forum, com um debate que juntará os chefes de Estado e do governo do Iraque, da Tunísia, do Mali, do Afeganistão, do Líbano e do Paquistão a Federica Mogherini (comissária europeia para os Negócios Estrangeiros e Políticas de Segurança) e à rainha Rania da Jordânia.

China, petróleo e investimentos

Com mais um ano de crescimento económico mundial esperado na ordem dos 4% e a Europa a avançar ainda debilmente e sem conseguir fazer subir a inflação, Mario Draghi (presidente do BCE), Jim Yong Kim (presidente do Banco Mundial), Christine Lagarde (diretora-geral do FMI) e os governadores de bancos centrais de países como Inglaterra, França, Índia, Japão ou Rússia vão sentar-se para encontrar caminhos para um crescimento sustentável. Um percurso que terá de ser feito num mundo em que o preço do petróleo está em queda livre, as moedas (incluindo o euro e o dólar, mas também o franco suíço, por exemplo) estão particularmente fracas e o arrefecimento da China é o bater de asas que provocou um furacão no resto do mundo, fazendo abanar as bolsas mundiais, afetando bancos e obrigando a repensar investimentos.

Os desafios do clima

Depois do acordo histórico conseguido em Paris no final do ano passado, a COP21 vai voltar a estar na ordem do dia. Para levar o tema a Davos foram convidados Laurent Fabius (ministro dos Negócios Estrangeiros de França e comissário do país na Conferência do Clima), Cristiana Figueres (delegada das Nações Unidas para questões do clima e que também teve um papel de imenso relevo na COP21) e o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. A esperança alimentada pelo primeiro acordo assinado por todos os países e os desafios que agora se lançam quer a nível tecnológico quer a países como a China e a Índia, que terão de mudar estruturalmente a sua economia para corresponder ao que acordaram, terão particular relevo na reunião de topo.

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