TAP terá bilhetes low-cost em quase todas as rotas europeias

Companhia aérea reavalia operações, mas descarta corte nos serviços de longo curso a partir do aeroporto do Porto. Já a parceria com a Ryanair não é certa, mas pode vir a acontecer

A TAP não vai seguir o modelo adotado pela IAG, dona da British Air-ways, e pela Lufthansa e afasta a possibilidade de criar uma companhia exclusivamente low-cost. Mas o ataque à concorrência vai fazer-se na mesma: a companhia por-tuguesa quer segmentar os seus aviões em escalões de regalias e preços. E estes serviços chegarão a quase todas as rotas europeias da TAP. "Parte dos aviões europeus vão ser low-cost", anunciou ontem Fernando Pinto.

Esta solução, que passará por uma reorganização dos interiores dos aviões da TAP, como David Neeleman já tinha anunciado, parte do princípio de que um cliente que paga menos está disponível para ter menores regalias: nem as refeições a bordo nem a bagagem de porão será disponibilizada por defeito. Estarão apenas ao dispor de quem quiser pagar por este tipo de serviços. O conforto não será comprometido, mas a localização será na parte de trás das aeronaves. "Haverá uma parte em que vão pagar por tudo. Estamos a mudar a configuração, mas vamos oferecer um produto assim, tal como manter o outro [classe económica] porque tem mercado. Também vamos manter o executivo, mas melhorado."

A segmentação pretende dar resposta à necessidade da TAP de ter tarifas mais baixas para combater a concorrência agressiva de companhias como a easyJet ou a Ryanair, que têm crescido fortemente nos últimos anos. Mas não haverá na TAP serviços unicamente de baixo custo. "Não queremos aviões exclusivamente low-cost, não temos mercado para isso", garantiu o gestor, contrariando a posição adotada por algumas companhias europeias - a IAG, dona da British Airways e da Iberia, por exemplo, comprou a low-cost Vueling em 2013; e a alemã Lufthansa fez nascer a Germanwings, bem antes da crise, em 2002.

Ryanair pode entrar no plano

O presidente da TAP aproveitou também para esclarecer que não existe qualquer acordo de code--share com a Ryanair para o longo curso, contrariamente ao que afirmou o presidente da low-cost irlandesa. No entanto, admitiu que, a ser bom para todos, pode vir a ser equacionado. "Quando chegaram diziam "a TAP vai desaparecer" e agora querem fazer code-share? É um bom sinal", afirmou Fernando Pinto. Mas garante que, para já, não há qualquer acordo. "Existem contactos, mas não decidimos nada."

No entanto, Fernando Pinto admite que se o negócio de uma parceria bilateral for proveitoso para ambas as partes pode vir a ser concretizado. "A verdade é que existe um certo merging, principalmente de estratégias. Nós fomos buscar o mercado das low-cost e elas vieram buscar parte do nosso mercado. Agora querem [Ryanair] participar neste feed [de passageiros] e, se isso trouxer benefícios para as empresas, OK."

Esta lógica não é única para a low-cost liderada pelo irlandês Michael O"Leary. "Obviamente que vamos buscar as parcerias que nos convierem mais."

E, se nesta matéria poderá haver espaço para negociar, o CEO da TAP foi já irredutível quando questionado sobre a possibilidade de a companhia aérea vir a cortar voos de longo curso com saída do Porto. "Não confirmamos, não existe isso", garantiu. A TAP realiza semanalmente quatro voos de longo curso com saída do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, de um total de 41 voos.

Neste momento a companhia está a "fazer uma reanálise da malha" da sua operação. Mas, apenas 20 dias depois da entrada dos novos acionistas, "existem ainda muitas coisas para fazer", até porque "um planeamento do futuro demora muito tempo".

A TAP admite que "temos mais dificuldade em concorrer no Porto" por causa da forte influência das low-cost. "Em Lisboa estamos fortes e tranquilos, no Porto temos de ver qual é a estratégia para podermos consolidar. O Porto tem um enorme volume de mercado. O Porto destina 226 milhões para a TAP, é muito importante."

Uma última novidade: a frota da Portugália vai começar a ser renovada, com a troca dos seis Fokker até final de 2016. Ainda não estão escolhidos os aviões que irão substituir os Embraer.