TAP: Rui Moreira mantém pressão sobre o governo

António Costa recebe na quarta-feira autarca do Porto, que acusa TAP de entregar voos da Portugália à privada White

Rui Moreira quer ter o primeiro-ministro como aliado na controversa situação da redução de voos da TAP no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. O presidente da autarquia usará todos os argumentos na reunião que solicitou a António Costa, e que se realizará na quarta-feira, em Lisboa, para conseguir que a companhia aérea recue nas suas decisões. Assim, o encontro será totalmente dominado pela suspensão de voos que a nova administração anunciou logo após a TAP ter sido vendida, pelo governo PSD-CDS, ao consórcio Atlantic Gateway.

Os prejuízos para a economia da região estão quantificados - contas de Rui Moreira - e será esse o argumento que utilizará na reunião com o primeiro-ministro, a qual poderá contar também com a presença do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, que detém a tutela da transportadora. Ontem, Rui Moreira esteve em Luanda a convite da fundação cultural Sindika Dokolo (colecionador de arte e marido da empresária Isabel dos Santos, que em janeiro adquiriu a Casa Manoel de Oliveira, no Porto), mas, mesmo ausente, mandatou a câmara de emitir um extenso comunicado a acusar a TAP de fazer desaparecer a Portugália. A autarquia lembra que a Portugália [PGA] custou ao Estado 140 milhões de euros, pagos há oito anos ao BES, e agora a TAP entrega os seus voos à privada White, "sem capital público envolvido e sem avaliação da Autoridade da Concorrência". "Enquanto isso, o Porto perde 70% dos voos TAP e o número de lugares disponíveis em rotas como Madrid ou Genebra baixa radicalmente, além de Roma, Milão, Bruxelas, Barcelona e Londres verem frequências reduzidas a zero ou parcialmente", escreve a autarquia.

A câmara considera que o negócio da privatização e reversão parcial desta "encerra vários assuntos por explicar". E refere ainda que os voos que a TAP anunciou pretender suprimir a partir do Porto são quase todos efetuados pela Portugália. "Alguns dos voos que atualmente são operados pela TAP, com Airbus, passarão a ser operados, nos próximos meses, pelos atuais aviões da Portugália, os Focker e Embraer, que assim mantêm, afinal, a sua operação, diminuindo em muito o número de passageiros transportados desde o Porto nas rotas não descontinuadas". A câmara entende que "toda esta operação, que antes estava na esfera pública e passou agora a ser operada por privados, não está incluída no controlo do Estado, nem sequer a 50%, se a reversão parcial da privatização for concretizada, como anunciou o governo. Foi, por assim dizer, uma espécie de subconcessão, mas cujas regras e contornos não foram públicos".

CDS-PP e o capital chinês

Entretanto, o CDS-PP seguiu a linha crítica de Passos Coelho e acusou o governo de ter omitido aos portugueses e ao Parlamento a eventual entrada de capital chinês na TAP. "Não está em causa o facto de o possível investidor ser chinês. Está em causa que o governo foi duas vezes ao Parlamento e fez várias cerimónias públicas em que omitiu absolutamente este facto e escondeu infantilmente esta cláusula. Este governo acha que pode enganar o Parlamento, e os seus sócios, o BE e o PCP, dão cobertura", disse fonte da direção do CDS-PP.

Com Lusa

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