TAP reduz ligações para Luanda

A TAP vai reduzir as ligações entre Lisboa/Luanda/Lisboa para oito frequências semanais a partir de 01 de julho, no âmbito da "estratégia de racionalização da oferta da companhia", informou hoje fonte da transportadora aérea portuguesa, questionada pela Lusa.

No "pico do verão", explicou a mesma fonte, a TAP chegava a realizar 10 ligações semanais entre as duas capitais, mantendo agora a operação dos voos no horário noturno, entre Luanda e Lisboa, às sextas-feiras, e aos domingos, no sentido inverso, além dos voos diurnos anteriores.

"Adequando-se assim a oferta do serviço ao mercado e correspondendo às necessidades nos dias de maior procura", acrescentou a TAP.

A companhia aérea justifica a medida com a "estratégia de racionalização da oferta", que "tem vindo a ser prosseguida há vários meses e que continuará durante o verão".

No espaço de um mês trata-se da segunda alteração significativa por parte de companhias europeias, depois de no final de maio a espanhola Ibéria ter terminado com as ligações entre Madrid e Luanda, alegando quebra do número de passageiros.

Angola vive desde o final de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial, decorrente da quebra da cotação de petróleo no mercado internacional, e milhares de expatriados deixaram o país nos últimos meses.

Entretanto, várias companhias, como a portuguesa TAP, já só aceitam pagamentos em moeda nacional exclusivamente para viagens que se iniciam em Luanda.

Segundo o relatório e contas da Parpública, a TAP tinha depósitos em Angola no montante de 27,7 milhões de euros, no final de 2015, que estava com dificuldade de repatriar.

A Lusa noticiou a 03 de junho que Angola é o quinto país do mundo com mais fundos retidos às companhias aéreas, que não paga há sete meses, acumulando dividendos de 237 milhões de dólares (210 milhões de euros) que as transportadoras não conseguem repatriar.

Os dados constam de um comunicado da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) que coloca Angola numa lista de países liderada pela Venezuela, com 3.180 milhões de dólares (16 meses sem transferir dividendos), seguida da Nigéria (591 milhões de dólares, sete meses), Sudão (360 milhões de dólares, quatro meses) e Egito (291 milhões de dólares, quatro meses).

No mesmo comunicado, a IATA, que representa 264 companhias aéreas e 83 por cento do tráfego global, afirma que pediu aos governos "que respeitem os acordos internacionais que os obrigam a garantir que as companhias aéreas sejam capazes de repatriar suas receitas".

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