Setores tradicionais com 147 mil empregos vagos

Calçado, têxtil, metalurgia, restauração e construção pedem mais trabalhadores. Salários baixos levam "os mais competentes" a emigrar, diz a CGTP

Com a economia a crescer, sucedem-se os alertas das empresas da falta de mão de obra disponível: só as indústrias tradicionais, a construção e a hotelaria e restauração reclamam quase 147 mil pessoas. Isto apesar de haver, ainda, 424 mil desempregados em Portugal em novembro de 2017, segundo os dados do INE. Para os sindicatos, o problema está na "política de baixos salários e de trabalho precário" que leva a que "os melhores profissionais emigrem". As associações patronais falam em desajuste entre a oferta e a procura e reclamam a criação de condições para a "receção seletiva" de imigrantes qualificados.

Leia mais em Dinheiro Vivo a sua marca de economia

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?