Seis milhões dividem administração e trabalhadores da Altice 

Operadora e sindicatos estão a negociar novo acordo coletivo de trabalho. Altice apenas disposta a aumentar em 0,5% os custos salariais globais

Seis milhões dividem a proposta da administração da Altice Portugal e dos sindicatos para os aumentos salariais no âmbito das negociações em torno do acordo coletivo de trabalho (ACT). Os sindicatos avançaram com uma proposta de 4% de aumento, com um mínimo de 50 euros, abrangendo todos os trabalhadores; a Altice Portugal contrapôs com uma subida de 0,5% dos custo globais com salários.

"Esta proposta dá uma subida de pouco mais de um milhão de euros nos custos com salários. A proposta dos sindicatos dava um aumento de 7 milhões", adianta Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da PT (STPT), ao DN/Dinheiro Vivo.

A dona do Meo não quis comentar os detalhes das negociações que já decorrem desde meados de abril. "A Altice Portugal encontra-se em processo de negociação do acordo coletivo de trabalho com as associações sindicais, dentro do quadro de normal funcionamento institucional, de forma responsável e transparente. Os temas objeto de discussão serão mantidos no fórum apropriado", reage.

Com cerca de 9 mil trabalhadores ativos, Jorge Félix classifica como "muito curto" o valor de pouco mais de 1 milhão de euros que a Altice está disposta a acomodar nos seus custos anuais com salários. Segundo o responsável sindical, neste momento a discussão centra-se na forma como vai ser distribuído esse montante nas diversas categorias profissionais dentro da empresa. "A dificuldade tem sido encontrar um equilíbrio sobre o valor de aumento a atribuir aos quadros com salários mais baixos, intermédios e superiores", admite Jorge Félix. As negociações do último ACT, fechado em 2016, resultaram num aumento de 15 euros para ordenados inferiores a 725 euros, abrangendo um total de até 400 trabalhadores. Até meados de junho o Sindicato de Trabalhadores da PT gostaria de ver concluídas as negociações do ACT.

Processos em tribunal

A 20 de setembro está agendado o julgamento no Tribunal de Sintra de um dos processos que move os trabalhadores da PT transferidos para a Sudtel, uma empresa externa prestadora de serviços que recebeu trabalhadores da Altice através de uma transmissão de estabelecimento, adiantou Jorge Félix. Nem na Sudtel nem na Tnord terá havido ainda acordo com os trabalhadores para retirarem os processos contra a Altice e as empresas recetoras. Jorge Félix diz ter apenas conhecimento de dois casos na Winprovit, envolvendo dois associados do STPT, a quem terá sido proposto manter alguns dos benefícios ao nível de saúde e de descontos nos pacotes de telecomunicações que os trabalhadores tinham quando estavam na PT.

"Os colaboradores transmitidos para outras empresas têm mantido diálogo com as suas entidades patronais no sentido de desistirem das ações judiciais que entretanto deram entrada. A Altice Portugal sabe que são diversos os colaboradores que já desistiram dos referidos processos", garante fonte oficial da operadora.

Compra da TVI? "A nossa posição é que o negócio já acabou"

"A nossa posição é que o negócio [da compra da Media Capital] já acabou com a decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social", disse Mário Vaz, CEO da Vodafone, à margem da apresentação do 5G Hub da Vodafone, quando questionado sobre se a compra da TVI estava comprometida pelo chumbo da Autoridade da Concorrência (AdC) aos compromissos apresentados pela Altice. "A posição da AdC está em linha com a posição da Vodafone sobre os pretensos compromissos apresentados pela Altice", diz. "Pretensos, porque não passam de uma lista de intenções." Após o chumbo da AdC, a Altice garantiu que não iria apresentar novos compromissos ao negócio que desde fevereiro está sob investigação aprofundada.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.