Vai gastar dinheiro na Black Friday? Saiba o que fazer para não ser enganado

A euforia à volta das grandes promoções traz consigo alguns problemas, especialmente no que toca à manipulação de preços.

As montras a anunciar grandes descontos não deixam ninguém indiferente. O dia da loucura das compras está quase aí. Na sexta-feira é dia de Black Friday. Apesar de ser uma tradição importada, a verdade é que este fenómeno está a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal. Caracterizada por oferecer os melhores descontos do ano, a Black Friday levanta ainda algumas desconfianças por parte dos consumidores. É necessário estar atento para não cair numa verdadeira Black Fraude.

Se até 2015, a lei dizia que o preço anunciado em período de saldos tinha de fazer referência ao preço mínimo dos últimos 30 dias, tudo mudou com a alteração do Decreto-Lei 10/2015. A Associação para a Defesa do Consumidor (Deco) dá o exemplo: o que acontece atualmente é que "um smartphone é colocado à venda no primeiro dia a mil euros, mas passado uma semana já está a 800 euros e no dia de Black Friday anuncia um preço de 700 euros, com um desconto de 30% associado".

Os consumidores acreditam que estão a ter uma poupança maior do que está a acontecer na realidade. "Apesar de moralmente questionável, não é ilegal aos olhos da lei." Com o objetivo de tornar o processo mais transparente, a Deco disponibiliza, à semelhança dos anos anteriores, um comparador de preços.

Ferramenta da Deco vai mostrar comportamento dos preços

Esta ferramenta permite aos consumidores perceberem o comportamento dos preços de determinados produtos ao longo do tempo, dando até informação sobre os mesmos produtos em lojas diferentes. Ao comparar um produto, a Deco vai responder com um semáforo: verde, no caso de ser realmente uma verdadeira promoção; amarelo se houver um desconto, mas o preço está igual ao que já esteve há alguns dias; e vermelho quando é fraude, uma vez que nos últimos dias, o produto já esteve mais barato.

"O que nós queremos é que os consumidores consigam ter in loco a possibilidade de perceberem se de facto aquele produto está a um preço vantajoso naquela loja mas ao mesmo tempo perceberem também que há outras lojas. Muitas vezes os consumidores são canalizados para um conjunto de vendedores que são os mais reputados e acabam por esquecer outros players", destaca.

"A lógica do desconto direto é muito impactante no consumidor. A nossa ferramenta vem tentar equilibrar os pratos desta balança que estava absolutamente desequilibrada porque por vezes os consumidores acabam por confiar cegamente na palavra dos anunciantes", explica a associação.

No ano passado, este comparador foi consultado mais de cem mil vezes durante o fim de semana da Black Friday. Se nos primeiros anos, esta ferramenta apanhou várias situações de fraude, no ano passado o cenário mudou.

"Fomos percebendo que os retalhistas estavam a conseguir corrigir as situações e por isso os preços nunca ficaram mais altos do que já tinham estado em algum momento. A lógica do semáforo vermelho deixou de acontecer."

Na última Black Friday, o Portal da Queixa registou mais 40% de reclamações face ao ano 2016. Este aumento resulta em grande parte do facto de os consumidores terem acesso a cada vez mais informação, de acordo com Pedro Lourenço, CEO do portal.

Marcas em contacto direto (online) com consumidores

Também o Portal da Queixa fornece aos consumidores instrumentos para uma sexta-feira menos negra e cada vez mais transparente. Para já em countdown, a plataforma www.blackfriday2018.pt vai disponibilizar um guia de descontos, um comparador e ainda vai colocar as marcas online para que possam estar em contacto direto com os consumidores.

"Vamos tentar proporcionar essa experiência de transparência, de confiança aos consumidores, que é justamente ter um espaço onde as marcas também estejam junto dos consumidores nesse dia de forma quase imediata", explica Pedro Lourenço.

As principais queixas em 2017 foram relativas ao aumento dos preços antes das promoções, as vendas com falta de stock para a procura, a publicidade enganosa e dificuldade na aquisição dos produtos em campanha e as falhas no sistema online ou com códigos promocionais.

Mas, "mais importante do que o número de reclamações, hoje em dia aquilo que os consumidores mais valorizam é a forma como as marcas estão prontas para as resolver", adianta.

A plataforma do Portal da Queixa vai estar disponível a partir da meia-noite de quarta-feira, dia 21 de novembro, até à quarta-feira seguinte. Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

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