"Ronaldo da economia marca logo golo" e pede à Grécia rapidez no ajustamento

Ministros elegem holandês Hans Vijlbrief como líder do poderoso Grupo de Trabalho que vai operar nos bastidores do Eurogrupo. Grécia tem de tomar mais medidas se quer receber 6,7 mil milhões a partir de fevereiro

A Grécia mostrou avanços importantes na terceira avaliação ao seu plano de ajustamento e resgate, mas é "convidada" a completar as reformas que ainda faltam "bem antes" do final do prazo definido para o final do programa grego, aconselhou nesta segunda-feira o novo presidente do Eurogrupo, o português Mário Centeno. Sem isso também não haverá dinheiro novo.

Segundo o ministro das Finanças de Portugal, "as autoridades gregas mais do que alcançaram as metas orçamentais que estavam definidas durante os últimos três anos [2015-2017]", mas é preciso ainda mais empenho "na ambiciosa estratégia abrangente de crescimento" e que, por isso, "são convidadas a finalizá-la em cooperação com as instituições bem antes do final do programa". Quer isto dizer que a Grécia ainda não pode receber a quarta tranche do empréstimo no âmbito do resgate, de valor global de 6,7 mil milhões de euros.

"Golo de Centeno"

Portugal também foi tema desta reunião do Eurogrupo. Primeiro, o comissário europeu da Economia, Pierre Moscovici, que tem lugar sentado à mesa dos decisores, começou por elogiar, e muito, o desempenho do português Centeno à frente do Conselho de Ministros das Finanças do euro.

Dirigindo-se a Centeno, que estava a seu lado, disse: "Bravo pela tua excelente gestão deste primeiro encontro." "O Mário, que é o Ronaldo da economia portuguesa, marcou um belo golo no seu primeiro jogo, marcámo-lo coletivamente contigo, e saúdo a decisão do Eurogrupo de fechar a terceira revisão do programa grego."

Depois, o socialista francês disse que a mais recente avaliação da Comissão a Portugal "confirma a melhoria da situação económica e financeira", mas continuam a existir "desafios", como créditos bancários não produtivos e malparados (NPL). E é preciso "mais consolidação orçamental para redu- zir a dívida pública", que é ainda muito elevada. E "mais reformas", claro.

Horas antes do fim deste encontro, Centeno acenou aos jornalistas que na sua primeira reunião como presidente do Eurogrupo "vamos saudar os desenvolvimentos da economia portuguesa".

Grécia tem de fazer mais

Mas a maior preocupação e o ponto que mais tempo terá levado no encontro deste Eurogrupo foi mesmo a Grécia.

O país passou na terceira revisão do programa, mas faltam medidas. Para chegar ao dinheiro da quarta tranche do resgate, o governo de Alexis Tsipras tem de fazer a "implementação completa" de medidas previamente acordadas e só depois é que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE, o fundo da zona euro que faz os empréstimos) "deve fazer um memorando de entendimento suplementar e aprovar o desembolso da quarta tranche do programa do MEE, no valor de 6,7 mil milhões de euros".

Se a Grécia fizer o que lhe pedem, será possível libertar 5,7 mil milhões de euros "em meados de fevereiro", dinheiro que vai diretamente para "a amortização de dívida pública, a regularização de dívidas em atraso a fornecedores e para reforçar a almofada de liquidez do Estado grego", explicou o diretor-geral do MEE, Klaus Regling.

Um holandês nos bastidores

O Eurogrupo de ontem também elegeu o holandês Hans Vijlbrief como presidente do Grupo de Trabalho, um coletivo que trabalha na retaguarda ou nos bastidores do Conselho de Ministros do euro.

A presidência e esse "grupo de peritos" têm bastante poder, uma vez que são responsáveis pelo fornecimento da base "técnica" que é usada para legitimar as políticas a seguir pela zona euro, ditando assim diretamente a agenda do próprio Eurogrupo. Vijlbrief é holandês e foi durante anos uma espécie de braço direito do antecessor de Centeno à frente do Eurogrupo, o ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem. "Desde outubro de 2012 que Vijlbrief é tesoureiro-geral do Ministério das Finanças da Holanda e conselheiro principal do ministro das Finanças do país em assuntos relativos ao Eurogrupo", diz fonte oficial.

Hans Vijlbrief sucede ao muito poderoso Thomas Wieser (austríaco), que liderou o Grupo de Trabalho do Eurogrupo durante cerca de seis anos (desde 2012). É referido amiúde como um dos arquitetos dos duros programa de ajustamento impostos à Grécia, por exemplo. O mandato de Vijlbrief começa a 1 de fevereiro e dura dois anos.

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