Repsol e Partex adiam furo de prospeção de gás no Algarve

Ambientalistas insistem: governo deve aproveitar este adiamento para suspender este tipo de exploração e apostar nas energias renováveis

O consórcio formado pela Repsol e pela portuguesa Partex decidiu suspender o furo de prospeção de gás natural na costa algarvia, previsto para outubro. As petrolíferas aguardam agora uma melhor oportunidade para a pesquisa que teria lugar a cerca de 40 quilómetros frente a Tavira.

O Jornal de Negócios avançou hoje, citando fonte da Repsol Portugal, que "o projeto de pesquisa está em processo de revisão, não havendo nesta altura data fixada para a perfuração".

A organização ambientalista Zero já defendeu que o Governo, após este adiamento, tem todas as condições para agora terminar os contratos de exploração de petróleo, na costa portuguesa.

"O Governo deve usar esta oportunidade para definitivamente, e em linha com o desenvolvimento de uma economia assente no uso de energias renováveis e de baixo carbono, terminar todos os contratos em vigor", salienta a Zero.

A Assembleia da República, lembra a Zero, já se havia pronunciado sobre este assunto e pedido "a suspensão imediata dos processos de concessão, exploração e extração de petróleo e gás no Algarve".

Os ambientalistas, como a Zero ou a Quercus, juntaram-se ao movimento de cidadãos e entidades que se manifestam contra a realização de prospeções de hidrocarbonetos na costa alentejana e algarvia.

Do mesmo modo, a Quercus e a Almargem insistem que o Governo "deve manifestar-se veementemente" contra a prospeção de petróleo devido aos riscos dessa exploração.

As associações defendem que "a acumulação de riscos implicados torna indispensável o equacionar de outras alternativas, que não impliquem elevados impactes ambientais e sociais em qualquer região de Portugal".

A Quercus e a Almargem recordam que as medidas energéticas em que se apostar agora terão impacte nos próximos 50 anos, por isso, defendem que Portugal deve investir em renováveis que garantam a sustentabilidade a médio e longo prazo e ajudem a mitigar as alterações climáticas.

"No Algarve, as principais atividades económicas para a região, como a pesca e o turismo, não se coadunam com a exploração de hidrocarbonetos e o Governo português deve manifestar-se veementemente este tipo de projetos", concluem os ambientalistas.

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