Renault alvo de buscas por suspeitas de fraude na emissão de poluentes

Depois da Volkswagen, há suspeitas na marca francesa, que lidera o mercado de ligeiros em Portugal. Renault diz que não foi encontrado software fraudulento.

Várias instalações da Renault em França foram alvo de buscas na semana passada, as quais poderão estar relacionadas com o escândalo da emissão de gases poluentes que atingiu a Volkswagen, avança hoje a agência noticiosa AFP.

Na sequência dessa notícia, as ações da Renault na Bolsa de Paris caíram mais de 20%, informa a agência Bloomberg.

A visita às instalações da Renault por elementos da DGCCRF (Direção Geral da Concorrência, do Consumo e Repressão de Fraudes) aconteceram há precisamente uma semana, segundo informaram fontes sindicais à AFP. Vários computadores terão sido apreendidos.

Os setores abrangidos pelas buscas - homologação e desenvolvimento de motores - "sugerem fortemente" que estas "estão relacionadas" com o caso da fraude nos motores da Volkswagen, refere o sindicato CGT.

A mesma fonte indica que as buscas ocorreram no centro de engenharia de Lardy, o centro tecnológico de Guyancourt (Yvelines), as instalações de Plessis-Robinson e a fábrica de Boulogne-Billancourt (Hauts-de-Seine).

A administração da Renault confirmou as buscas, mas garantiu que não foi detetado software fraudulento.

Várias marcas automóveis ficaram sob suspeita após o escândalo da Volkswagen, que rebentou a 18 de setembro do ano passado, quando se percebeu que o gigante alemão instalara um programa informático nos motores EA 189, usado em modelos a gasóleo da VW e da Audi, que ocultavam os valores reais de poluição gerados por esses motores.

O software ativava mecanismos de redução de emissões apenas durante os testes e desligava-se na condição real, altura em que os carros passam a emitir entre 10 e 40 vezes mais gases do que os limites permitidos por lei.

A fraude terá atingido 11 milhões de carros. Em Portugal, terão sido afetados 125 mil carros, cuja reparação arranca no final do mês.

Agora as suspeitas recaem sobre a Renault, que lidera em Portugal o mercado de automóveis ligeiros. A marca vendeu, em 2015, 20 447 ligeiros de passageiros no nosso país, um aumento homólogo de 25,3%.

As ações da Peugeot também caíram na sequência destas notícias sobre a Renault.

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