Reclamações sobre transportes duplicam em 2017

Número total de queixas na Deco recuou 12% para 405 mil em relação a 2016

Cancelamentos de voos, alterações de horários e atrasos nos transportes públicos fizeram duplicar o ano passado o número de queixas dos consumidores junto da Deco: cerca de 3 mil reclamações chegaram à Associação de Defesa do Consumidor, com um contributo das reclamações geradas pelo cancelamento em massa de voos da Ryanair em setembro. Globalmente, o número de reclamações caiu 12%, para 405 mil, menos 45 mil queixas do que em relação a 2016.

"Os consumidores através do digital têm cada vez mais acesso direto à informação e às empresas e conseguem obter informação e a resolução do conflito pelos seus meios, o que é positivo", considera Ana Sofia Ferreira, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Consumidor da Deco, comentando a redução do número de reclamações junto da associação.

As telecomunicações continua a ser o setor mais reclamado, com 42 339 queixas, mas ainda assim menos 7% face a 2016, uma tendência de descida visível nos quatro setores mais reclamados. Com 26 194 (-4,5%) compra e venda destrona o setor de energia e água (21 670, menos 21,8%) como o segundo setor mais reclamado. Dificuldade em acionar garantias de produtos continua a ser o motivo do maior número de reclamações, mas as compras online estão a gerar alerta na Deco. "Ainda não é um volume significativo do bolo, mas a tendência é de crescimento com muitos dos portugueses a recorrer a este mecanismo para a compra de bens", diz Ana Sofia Ferreira. Atrasos de entrega, dificuldades de reembolso, mas também "situações de sites que fecham e que deixam muitos consumidores lesados".

O número de queixas envolvendo os serviços financeiros também recuou o ano passado para 20 756, menos 21,5%. Os seguros associados a créditos, mas também o maior número e os valores mais elevados das comissões bancárias estiveram na origem da maioria das reclamações. Para clarificar o tema das comissões, a Deco tem uma petição até ao final de janeiro, à qual já subscreveram 16 545 pessoas. Os transportes foi o setor que registou subidas em 2017, com o cancelamento massivo de voos feito pela Ryanair em setembro a contribuir para esta subida. "As indemnizações [por cancelamento de voos] deveria ser automática, mas o que verificamos é que carece de tempo e intervenção do consumidor", diz Ana Sofia Ferreira. A Deco ajudou os consumidores da Ryanair que recorreram à associação a receber 35 mil euros em indemnizações. As queixas com atrasos ou fins de percursos nos transportes públicos da Grande Lisboa também contribuíram para a subida de reclamações.

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