Produtividade sobe 300 milhões com mais felicidade

Estudo revela que trabalhadores portugueses estão mais felizes do que há cinco anos. Construção e imobiliário e a indústria são os setores em que as pessoas se sentem mais felizes

Quem é feliz no trabalho também é mais produtivo. Este princípio serviu de base para o estudo "Happiness Works" feito pela Atlântica University Higher Institution, que concluiu que se todos os profissionais portugueses fossem felizes a produtividade seria superior em 300 milhões de euros. Para medir o grau de felicidade participaram 2400 profissionais de 209 organizações e o resultado deste ano foi o mais alto de sempre: 3,8 pontos numa escala de 5. Ou seja, face à primeira edição do estudo, os profissionais portugueses estão mais felizes do que há cinco anos.

"Podemos observar que quem é mais feliz falta menos 36% (por razões não relacionadas com doença), tem menos 45% de vontade de mudar de empresa e considera-se mais produtivo em 19%", afirmou Georg Dutschke ao DN/Dinheiro Vivo. O docente e investigador na Atlântica University Higher Institution e responsável pelo estudo salienta ainda que "apenas quantificando o menor absentismo, se os profissionais portugueses fossem felizes, a produtividade em Portugal aumentaria em aproximadamente 300 milhões de euros". "Naturalmente, se adicionarmos o custo de substituição de um colaborador e a sua menos vontade em produzir, este valor será substancialmente superior."

Tal como aconteceu em anos anteriores, os profissionais são mais felizes na função que desempenham do que na organização para a qual trabalham. E, sem surpresa, quem ocupa lugares de chefia manifesta-se mais feliz do que quem é subordinado. Já por setor de atividade, a "construção e o imobiliário" e a "indústria" surgem como as áreas em que as pessoas se sentem mais felizes, enquanto, em sentido inverso, o "Estado" e os "transportes e logística" são as atividades em que os profissionais portugueses são menos felizes.

"Verifica-se uma evolução positiva no nível de felicidade organizacional, quando comparado com 2015", salienta Georg Dutschke.

Em termos de empresas felizes, o pódio é liderado pela Bresimar Automação, seguido pela Hilti Portugal e terminando com a Ericsson Telecomunicações. O estudo mede o grau e o impacto da felicidade na produtividade através de três métricas: absentismo, retenção de talento e perceção de produtividade.

Confrontado com estes resultados, o sociólogo Elísio Estanque concorda que "a satisfação é um fator importante como estímulo da produtividade", sobretudo porque o emprego "tornou-se um bem raro, mais escasso e que, por isso, acaba por se valorizar mais". Em declarações ao DN/Dinheiro Vivo, o sociólogo defende que "ter um vínculo, um emprego estável e seguro, são necessidades para uma vida programável" mas avisa que a tendência "tem sido para a flexibilização, para o outsourcing e para uma maior precariedade". Segundo Elísio Estanque, para aumentar a felicidade dos profissionais "é preciso reconhecer o mérito e recompensar financeiramente".

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