Preços dos hotéis 43% acima do melhor ano de sempre

Até junho abriram nove hotéis em Portugal, refere a Associação de Hotelaria. Das novas aberturas, quatro aconteceram na região norte do país, tal como o novo Pestana Douro Hotel, em Gondomar, que abre portas em 2019 com 165 novos quartos.

Operação hoteleira mais rentável até junho. Indicadores já ultrapassam o histórico ano de 2007. Setor está confiante

Há quase vinte anos que Evelyn e Thomas não visitavam Portugal. Quando chegaram a Lisboa, mal reconheceram o país e relatam com gosto as melhorias em infraestruturas, edifícios e a nova vida das cidades. "Antes, era tudo muito sujo, agora não. As cidades estão mais vivas, mas mantêm aquele ar tradicional de que tanto gostámos na primeira viagem." Visitaram um pouco de tudo, passando pelo Algarve, Lisboa, Sintra, Óbidos, com fim marcado para o Porto. Terminada a viagem o balanço não podia ser mais positivo, mas há algo que os surpreendeu: "É muito barato, quando fomos pagar uma semana de alojamento no hotel até perguntámos se não se tinham enganado a contar o número de dias. Era um hotel de cinco estrelas..."

Não era engano. Os preços da hotelaria em Portugal ainda estão longe de competir com os praticados noutras cidades de interesse turístico, mas a nova vaga de turistas - também com um contributo importante dos norte-americanos - tem sido um estímulo importante para a valorização dos preços. Tanto que, no final de junho, o RevPAR (preço médio por quarto disponível) nos hotéis nacionais voltou a subir, estando agora nos 70 euros, o que representa mais 19% do que em igual período do ano passado, e 43% acima do valor registado há dez anos. Ou seja, no ano de referência para o setor por ser o que apresenta o melhor registo em todos os indicadores, mostram dados avançados pela Associação da Hotelaria de Portugal ao DN/Dinheiro Vivo.

Não é só em preços: a ocupação também tende a subir, tendo sido fixada em 79% no final do segundo trimestre do ano, um aumento de 4,1 pontos percentuais face ao período comparável do ano anterior.

Hotéis de cinco estrelas são o principal combustível da melhoria de preços na hotelaria em Portugal

A estatística diz respeito ao Hotel Snapshot, uma nova leitura feita pela associação, e que ajuda a perceber o impacto do turismo na perfomance financeira das unidades. As melhorias são evidentes.

"A tendência nacional é de melhoria tanto da taxa de ocupação como do preço por quarto. Porém é evidente que há um espaço grande de crescimento", adiantou ao DN/Dinheiro Vivo Cristina Siza Vieira, diretora executiva da AHP, sublinhando que as melhorias das tarifas escondem tanto escolhas superiores dos hóspedes como reserva de hotéis de classificação superior.

A fotografia ao setor no segundo trimestre confirma-o: "A hotelaria nacional está a posicionar-se em preço, alavancada pelos resultados atingidos pelos hotéis de categoria cinco estrelas."

Por um lado, os preços melhoram pelo ajustamento à procura ajudando a criar um "posicionamento de Portugal como destino de qualidade, diferenciador e personalizado". Por outro, os hóspedes são mais exigentes. Segundo a AHP, os turistas - especialmente oriundos dos EUA, mas também franceses e alemães - procuram "um serviço de excelência, personalizado e sofisticado" que tem ajudado a posicionar a oferta num segmento mais valioso. Mas, agora que os preços já estão a melhorar, é tempo de qualificar equipas para que essa personalização também possa ter uma formação por detrás, lembram os hoteleiros.

Filipe Ortigão Guimarães assume que os valores mais elevados também são resultado de um esforço de reposicionamento da hotelaria nacional que surge agora, não só como chamariz de novos turistas, mas também como convite ao pagamento de valores mais elevados. "É uma evolução naturalmente positiva e sabemos que os visitantes valorizam esse upgrade e, como tal, estão dispostos a despender um valor mais elevado", disse recentemente ao DN/Dinheiro Vivo. Resultado: "Mesmo perante um aumento da tarifa média, as taxas de ocupação são superiores às do passado", disse o diretor executivo da Associação de Turismo do Porto e Norte.

Gonçalo Rebelo de Almeida, CEO do Grupo Vila Galé, também confirma que esta tendência está a melhorar os resultados do grupo hoteleiro: "Registámos um ligeiro crescimento nas receitas na ordem dos 10%, resultante da melhoria do preço médio, fruto de alguma alteração nos canais de distribuição com mais vendas através dos canais diretos e online, venda de mais quartos superiores e suites familiares e, por outro lado, um ligeiro aumento dos consumos de alimentos e bebidas", diz o hoteleiro, referindo-se ao período do verão, em que a resposta portuguesa representou 35% da ocupação dos quartos. O resto, disse ao DN/Dinheiro Vivo, foram britânicos, alemães, espanhóis e franceses.

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