Portugal vence corrida que garante investimento da Google em Oeiras

Gigante tecnológica vai instalar em junho um centro de operações para apoiar os seus fornecedores
externos. Operação obriga à contratação de 500 trabalhadores altamente qualificados, maioritariamente engenheiros

A lista de candidatos era longa, mas Portugal foi o noivo eleito: a Google vai criar um novo centro de operações em Oeiras, que deverá entrar em funcionamento em junho. O sítio escolhido é o Lagoas Park, que já conta com uma centena de empresas, e onde a multinacional passará a ocupar uma área de 7000 metros quadrados divididos por quatro pisos de escritórios.

O anúncio da vinda foi feito ontem em Davos, por António Costa, numa intervenção em que dava conta dos "muitos investimentos em perspetiva" no país. O chefe do governo não se perdeu em detalhes, mas anunciou que o projeto "arrancará logo com a criação de 500 empregos qualificados, sobretudo na área da engenharia". Adiantou ainda que, "para além de novos investimentos, verifica-se também que empresas de grande dimensão como a Siemens ou a Bosch estão a reforçar os seus investimentos" no país.

O entusiasmo do primeiro-ministro não é de estranhar. Segundo o DN/Dinheiro Vivo apurou, há vários meses que o governo português se mobilizava para atrair o novo investimento da Google, fazendo por se destacar entre outros países que também se posicionavam para agarrar este centro. A jogo foram os ministérios da Economia e Negócios Estrangeiros, tendo o processo sido acompanhado sempre bem de perto por António Costa, em São Bento.

Em novembro, quando o mundo tecnológico voltou os olhos para Portugal, as negociações intensificaram-se, trazendo a confirmação: "A opção da Google recaiu em Portugal por a empresa considerar o nosso país como digital friendly. Durante a última edição da Web Summit desenvolveram-se os últimos contactos", confirmou ao DN/Dinheiro Vivo fonte oficial do Ministério da Economia, adiantando que "os escritórios da Google vão entrar em funcionamento no final de junho de 2018", trazendo para a região de Lisboa "empregos altamente qualificados".

Mas que serviços vai a Google providenciar a partir de Oeiras? Conforme foi possível apurar, será um centro de operação que vai apoiar um conjunto de empresas que são fornecedoras de serviços à Google, como apoio tecnológico ou comércio digital, daí a necessidade de se admitirem pessoas com elevadas qualificações, a maioria do ramo da engenharia.

A empresa, para já, poupa-se nos detalhes, mas admite que o novo centro de operações será "totalmente dedicado a fornecedores terceiros", disse fonte oficial ao DN/Dinheiro Vivo.

Investimento "dá visibilidade"

Na Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais lembra a importância de trazer para a região um novo "hub tecnológico" que vai trabalhar para a Europa, Médio Oriente e África.

"Compete a Oeiras criar todas as condições para que as grandes empresas se instalem no concelho e por isso tem de investir na mobilidade, em melhores acessibilidades e melhores transportes", adiantou o autarca ao DN/Dinheiro Vivo.

Isaltino Morais não esconde que o novo investimento "dá visibilidade ao município", mas lembra que "essa visibilidade decorre do facto de há muitos anos Oeiras ter vindo a criar condições para ser um espaço de acolhimento de empresas de base tecnológica - como é o caso da Google - e isso tem que ver com o ambiente, ordenamento do território, acessibilidades, escolas e equipamentos, no fundo, em criar condições para que o core do concelho seja centrado nas empresas de base tecnológica".

Em Oeiras ou não, Paddy Cosgrave, líder da Web Summit, não tem dúvidas de que a Google será apenas uma de várias empresas a escolher Lisboa como base. Nas redes sociais, o irlandês partilhou a notícia da vinda da multinacional e acrescentou: "Os rumores são que a Google é a primeira de várias empresas tecnológicas de alto perfil a abrir escritórios em Lisboa. É a confirmação do ótimo trabalho da comunidade portuguesa e do governo."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.