Portugal vai dar prémios para a mobilidade inteligente

O site Motor24 e o Global Media Group promovem os primeiros prémios para a mobilidade inteligente. O lançamento dos Global Mobi Awards é feito já amanhã, no arranque da Lisbon Mobi Summit, e pretende distinguir cidadãos, entidades públicas e empresas privadas

O site Motor24 e o Global Media Group vão promover os primeiros prémios para a mobilidade inteligente em Portugal. A iniciativa é apresentada amanhã no arranque da Lisbon Mobi Summit, na sede da EDP, em Lisboa.

Mobilidade elétrica, condução autónoma, mobilidade partilhada, gestão da mobilidade nas cidades e transportes mais eficientes e flexíveis, são temas cada vez mais prementes na agenda pública e na vida dos cidadãos.

É para promover uma nova cultura de mobilidade e distinguir as melhores práticas, produtos, tecnologias e ações de mobilidade inteligente em Portugal que o site Motor24 lança os Global Mobi Awards. O objetivo dos prémios é também dar visibilidade ao paradigma da mobilidade inteligente e estimular projetos e políticas que possam contribuir para uma economia descarbonizada e circular.

Para isso, foram criadas nove categorias para o galardão, que abarcam diversos temas da mobilidade inteligente, divididos em duas grandes áreas - uma primeira destinada a Cidades, Empresas/Organizações e Cidadãos e uma segunda mais orientada para produtos, tecnologias e serviços. Cada uma destas áreas terá um júri independente, constituído por personalidades ligadas aos temas da mobilidade - especialistas, académicos, jornalistas, representantes de associações e empresas.

Dos elétricos às smart cities

De acordo com Rui Pelejão, editor executivo do site Motor24, o objetivo destes prémios é abarcar um largo espetro da oferta da mobilidade elétrica descarbonizada, em Portugal: "Além de premiar os veículos híbridos, elétricos e movidos a energias alternativas que representem a melhor opção para o consumidor e o ambiente, teremos também em avaliação uma nova geração de serviços de mobilidade, como o carsharing ou o bikesharing e distinguiremos tecnologias que melhor sirvam uma mobilidade mais segura e eficiente."

As candidaturas estão também abertas a autarquias, empresas, organizações que tenham implementado ou em fase de implementação soluções de mobilidade inteligente. "Mas queremos também dar espaço a uma cidadania ativa neste domínio e teremos um prémio destinado a boas ideias para a mobilidade inteligente que sejam oriundas da sociedade civil e dos cidadãos", disse Rui Pelejão.

Para Robert Stussi, especialista em mobilidade e presidente do júri, esta "é uma oportunidade para as cidades e organizações portuguesas".

Por outro lado, acrescentou, "é a oportunidade de terem prémios nacionais, acessíveis por um número muito maior de entidades e cidadãos". A finalidade destes troféus é divulgar boas práticas que visam potenciar a inovação, governança da descarbonização, e promover o mindset para sermos "pessoas co e multimodais", disse Robert Stussi.

Esta inédita iniciativa do Motor24 conta com o apoio da OK Teleseguros, da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), da Associação Portuguesa do Veículos Elétrico (APVE) e do Programa Polis.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.