Poder de compra dos portugueses tem maior subida desde o ano 2000

Portugal é o 47.º país em termos de riqueza per capita em 2017, segundo o FMI. A retoma e o fim da sobretaxa trouxe maior poder de compra aos portugueses. O Qatar é o mais rico, mas Macau vai ultrapassá-lo já em 2020

É o maior aumento desde o início do século - o PIB per capita dos portugueses subiu 2,9% no ano passado, totalizando, em média, 27 700 euros, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) analisados pelo DN/Dinheiro Vivo. É preciso recuar ao ano 2000 para encontrar um crescimento maior (+3,1%). A subida do poder de compra explica-se pela retoma da economia, mas também pela reposição de rendimentos, sobretudo pelo fim da sobretaxa de IRS. Apesar disso, Portugal manteve-se em 47.º lugar no ranking dos países mais ricos.

A riqueza por habitante progrediu, de facto, mais rápido do que a própria economia, que conheceu, no ano passado, uma expansão de apenas 2,7% em termos reais. O fenómeno terá duas explicações. A retoma económica está em curso e ganhou força, à boleia do dinamismo das exportações e do turismo, do mercado imobiliário e da construção, mas também com as devoluções de rendimentos (aumentos das pensões e do salário mínimo e fim da sobretaxa) e a maior confiança dos investidores.

E, como a população residente também está em declínio (menos 0,2% em 2017), significa que a riqueza imputada a cada cidadão aumenta por esta via. O bolo cresceu e há menos gente com a qual o repartir.

As contas são um pouco mais baixas a preços correntes - no ano passado, com os valores corrigidos para refletir o poder de compra, cada português ganhou, em média, 30,4 mil dólares, cerca de 24,6 mil euros ao câmbio atual.

Em 2018, mesmo com a economia a crescer menos (2,4%, prevê o FMI), a riqueza imputada a cada habitante do território nacional voltará a crescer cerca de 2,8%. Ficam para trás os anos da crise, em que o PIB per capita encolheu - 1,7% em 2011 e 3,6% no ano seguinte.

Apesar disso, de acordo com o ranking publicado pelo FMI, Portugal aparece em 47.º lugar nesta lista do poder de compra, indicam cálculos do DN/Dinheiro Vivo.

O Qatar, um grande produtor de petróleo e gás, e que atualmente experimenta um boom imobiliário por causa da preparação para o Campeonato Mundial de Futebol em 2022, é o primeiro país deste top mundial do poder de compra, com um PIB per capita de 100,7 mil euros, ou seja, quatro vezes mais do que o nível português.

Logo a seguir, em segundo lugar, surge Macau, uma zona administrativa da China, que faz fortunas com o negócio dos casinos e com o turismo. De acordo com o FMI, os habitantes da ex-colónia portuguesa passarão a ser os mais ricos do mundo já em 2020. O terceiro mais rico do mundo é europeu e chama-se Luxemburgo. Cada cidadão do pequeno grão-ducado ganha anualmente (2017) o equivalente a 86 mil euros, ou seja, 3,5 vezes mais do que em Portugal (ver infografia).

Destaque ainda para Espanha, que ultrapassou Itália nesta medida da riqueza individual. O habitante médio espanhol é agora o 34.º mais rico do mundo (31 mil euros de rendimento anual); o italiano ocupa o 35.º posto (30,8 mil euros). O mesmo que dizer que os portugueses ganham 79% do rendimento espanhol.

No fundo da tabela, o país mais pobre do mundo será a República Centro-Africana, que no final de março até teve a visita oficial do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Flagelado pela guerra, cada pessoa neste país africano vive, em média, com uma riqueza de 547 euros por ano.

O segundo mais pobre do mundo é o Burundi, também em África, com uma riqueza média por pessoa que não chega a 595 euros anuais. Moçambique, um parceiro económico muito próximo de Portugal, é o sexto mais pobre na referida lista de 191 economias.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.