Pilotos aceitam perder um dia de folga nas negociações com a TAP

Do pacote de propostas aprovado ontem pelos pilotos faz parte o pagamento de uma compensação pela falta de progressão nas carreiras na companhia aérea

A pressão exercida pelos pilotos da TAP surtiu efeito e o braço-de-ferro com a companhia aérea, que levou a uma greve de zelo antes da Páscoa e ao cancelamento de dezenas de voos nas últimas semanas, pode estar agora mais perto de ser resolvido. Na sequência da assembleia de empresa dos pilotos da companhia aérea, que teve lugar ontem à tarde em Lisboa, para fazer o ponto da situação das negociações entre o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil e a TAP, fonte oficial do sindicato avançou ao DN/Dinheiro Vivo que "a direção [do SPAC] foi mandatada para concluir as negociações" com a empresa. Contactada, a TAP optou por não se pronunciar sobre as conclusões da mesma reunião.

Em cima da mesa estavam as principais exigências dos pilotos: progressão na carreira, atualização salarial, fim às horas extraordinárias e ao trabalho em dias de folga. "A proposta do sindicato para as negociações com a TAP foi aceite pelos pilotos", confirmou ao DN/Dinheiro Vivo fonte conhecedora do processo.

Uma das bandeiras do protesto dos pilotos prende-se precisamente com a falta de progressão nas carreiras (nomeadamente na passagem de copiloto a comandante) na TAP, enquanto o mesmo cenário não se verifica, por exemplo, na Portugália, companhia área que também faz parte do mesmo grupo e que tem beneficiado com mais aviões e novas rotas aéreas.

"Na TAP não há progressão nas carreiras", diz a mesma fonte. Para colmatar este problema, a assembleia de pilotos aprovou ontem uma proposta de compensação para os copilotos que será agora alvo de negociação final com a TAP. Diz a mesma fonte que "a TAP será penalizada se exceder o número de aeronaves cedidas para a Portugália. Se isso acontecer, terão de pagar aos pilotos uma compensação".

De acordo com a mesma proposta de negociação, e no que diz respeito às folgas, os pilotos perdem o direito a uma folga nos meses com 31 dias. A mesma fonte diz ainda que a contratação externa de voos (aviões e tripulação) pela TAP ultrapassa grandemente o valor estipulado e aponta como problema a constante falta de tripulantes e pilotos, apesar das contratações que têm sido anunciadas.

Por recomendação direta do SPAC, num documento enviado aos associados, antes da Páscoa os pilotos da TAP travaram a fundo as horas extraordinárias e o trabalho em dias de folga, passando a cumprir religiosamente os seus horários e tempos de descanso. Esta espécie de greve de zelo não assumida resultou no cancelamento de mais de meia centena de voos, em poucos dias, deixando a companhia aérea com pessoal a menos para o cumprimento das rotas programadas.

A decisão de cortar com o trabalho fora do legalmente estabelecido surgiu depois de uma assembleia geral do SPAC, a 15 de março, em que a inexistência de atualizações salariais e o enorme peso dos impostos, que já levou muitos destes profissionais para o estrangeiro, também estiveram em cima da mesa. Dessa reunião saíram duas indicações: reclamar junto da companhia aérea um aumento salarial na ordem dos 42% - a TAP não está disponível para adiantar mais de 3%, relata outra fonte conhecedora do processo - e um travão ao trabalho extraordinário. O último aumento que os pilotos receberam foi em 2007, mas o acréscimo mensal foi sentido apenas durante alguns meses uma vez que a atualização aos escalões do IRS acabou por mitigar o seu efeito.

À Lusa, a TAP confirmou que está a contratar quase 500 funcionários em 2018: 170 pilotos e cerca de 300 tripulantes de cabina. Fonte oficial da transportadora referiu que, como "previsto", estão a ser contratados mais 170 pilotos neste ano, depois de em 2017 terem sido admitidos 64. A mesma fonte precisou que desde a privatização da empresa, em 2015, foram contratados 80 pilotos. A TAP está ainda a contratar pessoal de cabina: "Cerca de três centenas para formar este ano. No ano passado, foram admitidos 305."

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