Peso do turismo na economia aumenta 47% em oito anos

Turistas gastaram mais de 23 mil milhões de euros em Portugal em 2016. Mais de dez milhões visitaram o país em excursão

Vieram de carro, barco ou avião, em grupos de 2,5 pessoas (média) e gastaram 95,7 euros por dia. Ficaram em casa de família ou de amigos e 70% deles escolheram voltar a um país que já conheciam. Dez anos depois, voltou a ser possível traçar o retrato dos turistas que visitam Portugal. Em 2016, entraram no país 28,3 milhões de pessoas; o número de dormidas ultrapassou os 144 milhões. Estes dados são o resultado de um trabalho exaustivo do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ao longo do último ano foram quase 95 mil as entrevistas feitas a visitantes, em salas de embarque ou na berma da estrada nas chegadas à fronteira.

Os resultados não surpreenderam a secretária de Estado do Turismo. A recuperação deste inquérito só peca por tardia. Agora é possível reforçar com dados estatísticos a importância que o turismo tem para Portugal, que é de 12,5% do PIB e 7,1% do valor acrescentado bruto (VAB), destacou Ana Mendes Godinho no final da apresentação do Inquérito ao Turismo Internacional e da Conta Satélite do Turismo, que o INE elaborou em parceria com o Banco de Portugal e o Turismo de Portugal.

Segundo a Conta Satélite, que não era publicada desde 2010, o turismo gerou 11,5 milhões de euros para a economia portuguesa em 2016. Mais 10% do que no ano anterior. Já o consumo dos turistas em Portugal ultrapassou os 23 mil milhões de euros. No espaço de um ano, o salto foi de quase 6%. Os números ganham outra dimensão quando se viaja oito anos no tempo. Em 2008, o consumo do turismo valia 9,2% do PIB português, ou seja, 15,7 mil milhões de euros; em oito anos, o peso da atividade turística na economia disparou 46,9%.

No mapa da Europa, Portugal só é ultrapassado por Malta, onde o turismo vale 17,4% da economia. E leva a medalha de prata no que toca ao emprego ligado ao turismo, com 9,2% do total. Aqui, só é ultrapassado por Espanha.

De resto, o regresso de Portugal à liga dos grandes no turismo é um dos méritos dos novos inquéritos. A existência destes números permite-nos regressar ao ranking da Organização Mundial do Turismo. Da última vez que lá estivemos ocupávamos o 35.º lugar. Com estes números conseguiremos chegar ao top 20, diz a secretária de Estado do Turismo.

Os dados recolhidos pelo INE permitem identificar outras tendências. Dos mais de 28 milhões de turistas que o país recebeu em 2016, mais de dez milhões vieram em excursão, ou seja, não pernoitaram em Portugal. Destes, sete milhões são espanhóis. É um dos próximos grandes desafios intensificar a lógica do mercado ibérico. O objetivo é converter esses sete milhões de espanhóis em turistas, assinalou Ana Mendes Godinho.

O outro detalhe que saltou à vista da radiografia ao turismo foi o número de visitantes que escolheram Portugal por terem ligações familiares ao país: quase 24%. Talvez seja o valor mais surpreendente. O volume de turistas vindos de países como Suíça, Luxemburgo e França é muito elevado. Temos de começar a distinguir quem são os portugueses residentes nestes países, porque isto começa a ter um efeito estatístico muito grande. Conhecendo com mais rigor o tipo de transporte, de gastos e de alojamento, poderemos dirigir a promoção turística e o investimento mais eficazmente para estes mercados e saber quais é que precisam de um maior trabalho de cativação, sublinhou ao DN/Dinheiro Vivo Cristina Siza Vieira, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal.

A poucos dias do fim de 2017, desde cedo aclamado pelo governo como o melhor ano de sempre para o turismo, já é possível fazer um primeiro balanço. A meta de 21 milhões de turistas terá sido facilmente alcançada e estão a disparar os voos vindos de países longínquos. De acordo com Ana Mendes Godinho, o mercado brasileiro está a crescer 60%, seguido pelo norte-americano - mais 45%. Já o número de visitantes chineses, desde que abriu a rota direta para aquele país, cresceu 40%. E são também estes que mais gastam.

No final da viagem, a nota é positiva. De zero a dez, o grau de satisfação dos turistas que visitaram Portugal foi de 8,81 pontos.

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