Perturbações na TAP e Ryanair podem custar 7 milhões de euros

A estimativa é da AirHelp, uma empresa que ajuda os passageiros a obterem compensações por atrasos, cancelamentos ou impedimentos de embarque em voos

As perturbações em voos da TAP e Ryanair no período da Páscoa terão afetado cerca de 19 400 passageiros e podem representar cerca de sete milhões de euros em compensações, estima a empresa AirHelp.

A transportadora de baixo custo irlandesa considera, por seu lado, que estas alegações "são falsas e enganadoras", já que "se um voo for cancelado devido a uma disputa laboral, algo que constitui uma situação extraordinária, a compensação ao abrigo da normativa EU261 não é aplicável".

Em informação disponibilizada à agência Lusa e com base em análises de voos entre 24 de março e 8 de abril, a empresa especializada na defesa dos direitos dos passageiros aéreos concluiu que cerca de 13.600 passageiros da TAP "são elegíveis a receber compensações" no âmbito do regulamento EC261, o que poderá representar cerca de 5,2 milhões de euros.

"Neste período, cerca de 40% dos voos da TAP de ou para Portugal sofreram perturbações. Cerca de 900 voos tiveram um atraso entre 15 e 180 minutos, cerca de 25 voos atrasaram-se mais de 180 minutos e mais de 120 voos foram cancelados", concluiu a AirHelp.

Em relação à Ryanair foi estimado que cerca de 5.800 passageiros "são elegíveis a receber compensações, as quais poderão representar, no total, cerca de 1,8 milhões de euros". Sobre a transportadora aérea de baixo custo irlandesa, a empresa analisou que 20% dos voos com partida ou chegada a Portugal sofreram perturbações.

Classificando a AirHelp como uma empresa de "caça-compensações", a Ryanair encoraja todos os seus clientes "com pedidos de compensação válidos a dirigi-los directamente" à empresa "para que possam receber 100% da sua compensação ao abrigo da normativa EU261, sem qualquer dedução das excessivas taxas aplicadas por estes 'caça-compensações'".

"Cerca de 170 voos tiveram um atraso entre 15 e 180 minutos, perto de 10 voos tiveram um atraso superior a 180 minutos e cerca de 40 voos foram cancelados", lê-se na informação.

Os tripulantes de cabine nas bases portuguesas da Ryanair fizeram uma greve de três dias não consecutivos em 29 de março, 1 e 4 de abril.

Na TAP, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) apelou à não aceitação de voos em folga/férias no período de 24 a 28 de março (inclusive), pedido de folgas em atraso e 'e-learning'.

A Autoridade Nacional de Aviação Aérea (ANAC) contabilizou nos dias 26, 27 e 28 de março 29 voos cancelados da TAP em Lisboa e 3.846 passageiros afetados.

Em resposta à agência Lusa, a ANAC referiu os cancelamentos da companhia aérea no final de março, informando ter convocado "responsáveis da transportadora da aérea de apoio a passageiros para prestar esclarecimentos e informações à ANAC".

Presente em Portugal desde 2013, a startup AirHelp fornece um serviço, através do website ou da aplicação para dispositivos móveis, em que os passageiros podem introduzir os dados do seu voo e verificar se este é elegível para uma compensação da companhia aérea. Em caso afirmativo, o passageiro poderá ter direito a uma compensação de até 600 euros por pessoa, sendo a AirHelp a tratar de toda a burocracia.

A AirHelp garante que já apoiou mais de cinco milhões de clientes a submeterem uma reclamação, o que representa cerca de 300 milhões de euros em compensações.

Notícia atualizada às 15.13 de dia 17/04. Incluídas declarações da Ryanair

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