Para baixar juros "é preciso restaurar a confiança na política orçamental"

Teodora Cardoso comenta subida das taxas de juro da dívida pública, que desde dia 5 já fecharam mais do que uma vez acima dos 4% no prazo a dez anos.

A presidente do Conselho de Finanças Públicas disse hoje que "é preciso restaurar a confiança na política orçamental" em Portugal para fazer descer as taxas de juro da dívida pública, que já ultrapassaram os 4% a dez anos este mês.

"No fundo precisamos de restaurar a confiança na política orçamental em Portugal. É isso que fará descer os 'spreads' [prémio] e a taxa de juro [da dívida pública]. Enquanto ela estiver a subir temos de pensar que o problema não está resolvido e que temos de continuar a trabalhar nisso", disse Teodora Cardoso.

Falando à margem de um seminário sobre investimento público, que decorre hoje em Lisboa, Teodora Cardoso foi questionada sobre as causas da subida das taxas de juro da dívida pública, que desde dia 05 de janeiro já fecharam mais do que uma vez acima dos 4% no prazo a dez anos.

"Há duas componentes, as taxas de juro internacionais também subiram, portanto nesse aspeto o valor absoluto da nossa taxa tem a ver com isso. O problema mais complicado é que nós temos subido mais do que os outros países. O 'spread' na dívida tem aumentado mais, isso significa que temos de ter mais cuidado em termos de política orçamental", afirmou.

No entanto, admitiu que a "confiança é uma coisa muito volátil" e afirmou que a "questão dos 4% teve mais a ver com expectativa de inflação a nível internacional do que propriamente com o que se passa em Portugal".

"É claro que o problema é que como a nossa dívida tem uma taxa mais alta, o facto de as taxas de juro internacionais subirem afeta-nos mais fortemente, porque os nossos encargos com a dívida são maiores. Há esse fator que não depende de nós. O que depende de nós é procurarmos garantir que vamos reduzir a dívida e ter uma política mais sustentável nessa matéria".

Teodora Cardoso considera que a situação resulta de "um conjunto de circunstâncias", admitindo que "não é fácil de dizer que há um elemento específico".

"Este elemento da confiança que é uma coisa difusa, mas [a subida das taxas de juros] significará que os mercados não estão convencidos de que aquilo que estamos a fazer seja suficiente para garantir que a nossa dívida é sustentável", reforçou.

E acrescentou: "O facto de neste ajustamento orçamental haja uma parte muito importante que efetivamente vem de despesas de investimento e ao mesmo tempo haja despesas muito rígidas, como é o caso das despesas com o pessoal que estão a subir, não é um fator de confiança na sustentabilidade da dívida portuguesa".

Além disso, a discussão em torno da eventual nacionalização do Novo Banco também é penalizadora: "Essa questão é mais uma que vai incidir sobre dois setores onde estamos mais frágeis, o financeiro e o impacto que isso possa ter nas contas públicas. São coisas que não vão a favor do objetivo que se queria que era reduzir a dívida e reduzir os juros", disse.

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