Paddy Cosgrave: "Se o Governo português pedir, cancelamos o convite a Le Pen"

Fundador da Web Summit publicou uma nota sobre a polémica dos últimos dias

O fundador da Web Summit reagiu esta terça-feira à polémica sobre o convite feito a Marine Le Pen para estar presente no evento que decorre em novembro em Lisboa.

Numa nota escrita, Paddy Cosgrave afirma que a Web Summit é um "espaço aberto ao debate entre vários pontos de vista" e garante que "se os nossos anfitriões, o Governo português, nos pedirem para cancelar o convite a Marine Le Pen, nós vamos respeitar esse pedido e vamos fazê-lo imediatamente".

Na extensa nota, Paddy Cosgrave justifica o convite feito à líder do partido francês de extrema-direita União Nacional (ex-União Nacional) afirmando que a "liberdade de expressão é um direito fundamental na União Europeia e o pilar de qualquer sociedade democrática".

O irlandês afirma que as opiniões de Marine Le Pen são, na sua opinião, "erradas", e que nem o facto de ter reunido mais de 30% dos votos na segunda ronda das presidenciais francesas legitima o seu pensamento. E sublinha que deixar "ideias extremas" de fora da conferência é o "caminho fácil".

Explica depois por que escolheu não o fazer. "Acreditamos que banir ou tentar ignorar essas ideias, que têm sido difundidas pela tecnologia, não ajuda à compreensão. Mais importante, talvez, banir ou ignorar essas ideias não ajuda a perceber os motivos pelos quais essas ideias têm cada vez mais apoiantes em várias partes da Europa", escreve o irlandês.

Paddy Cosgrave destaca que há uma "necessidade palpável de debater e discutir este fenómeno, as suas causas e o papel que a tecnologia tem nele". E acrescenta que a Web Summit é um lugar "onde as pessoas devem estar preparadas para mudar de opinião e desafiar as opiniões dos outros".

Marine Le Pen não irá, no entanto, discursar no palco principal do evento, na Altice Arena, nem num dos outros 20 palcos secundários espalhados pelo Pavilhão de Portugal. Paddy Cosgrave revela que os oradores cujas ideias "podem ser consideradas ofensivas" não são convidados para estes palcos, ficando antes pelo Forum, um espaço reservado a convidados (políticos, CEO"s ou académicos). Foi o que aconteceu no ano passado, por exemplo, com Nigel Farage.

(em atualização)

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