Os sapatos de princesa querem chegar às arábias

Fábrica de São João da Madeira conheceu ribalta quando Carol e Pippa Middleton usaram os seus sapatos no casamento real

O casamento real em Inglaterra terá sido, provavelmente, o momento na ribalta da Helsar. A empresa produtora de calçado de luxo de senhora tornou-se notícia além-fronteiras quando se soube que Carol e Pippa Middleton, mãe e irmã da noiva, foram ao casamento de Kate e William com sapatos e carteiras produzidos na fábrica de São João da Madeira. Até a Forbes fez um artigo sobre "como os sapatos reais de Pippa ajudaram a economia portuguesa". Mas a Helsar não é uma desconhecida no mundo dos famosos, com nomes tão distintos como Anastacia, Shakira, Jennifer Lopez, Jessica Alba ou a mulher de Toni Blair a serem associados aos sapatos produzidos na empresa. Patrícia Correia, filha e sobrinha dos fundadores, tem um sonho: conseguir vender os seus sapatos no mercado árabe.

"É um desafio enorme. Todos me dizem que eles só fazem negócios com homens, mas eu gostava mesmo de conseguir entrar nos mercados árabes", diz Patrícia Correia, responsável de marketing da Helsar, que acredita que só lhe falta encontrar a pessoa certa para fazer a ponte entre os dois mundos. O Japão e os Estados Unidos são mercados em que a empresa gostaria de apostar. "Era um mercado que estava a começar a crescer, mas a eleição de Donald Trump veio complicar a situação, com as portas a fecharem-se. Os clientes começam a sentir-se encurralados", explica. A Helsar tem uma produção média de 200 pares de sapatos/dia, que varia em função do tipo de calçado, trabalhando, maioritariamente, para grandes marcas internacionais. Jean Paul Gaultier, Schumacher, Emmy Shoes, Jimmy Choo, Diamond Heels ou The Office of Angela Scott, na Califórnia, são alguns dos clientes que, nestes 38 anos de existência, já subcontrataram a produção na empresa de São João da Madeira. A Helsar integra o projeto de turismo industrial da autarquia local e dá tal importância à história e à tradição que tem uma pequena sala-museu, onde é possível ver expostos exemplares emblemáticos das várias coleções ao longo dos anos, mas também formas antigas e até a primeira fatura passada pela empresa, a 30 de janeiro de 1979, com o valor de 3033$40 (um pouco mais de 15 euros), sujeito a um imposto de transações, o anterior IVA, de 13%. "Somos muito de recordações, gostamos de guardar tudo", diz Patrícia Correia.

Os sapatos Helsar sempre se distinguiram pelos saltos muito altos e pelo requinte. Mas a moda muda e as empresas têm de a acompanhar. Hoje, a Helsar produz, também, sapatilhas e sneakers e outros artigos de salto raso. "Tentamos fazer um sapato muito diferente e requintado, recorrendo a alguns pozinhos mágicos, com aplicações e brilhantes ou o uso de peles metalizadas. São pequenos detalhes, mas que dão logo outra imagem ao sapato. Até se pode ir a um casamento de sapatilhas, mas parecerá sempre um sapato da Cinderela."

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