Obras e tecnologia podem ganhar no triângulo com África e América

Papel de Portugal nas relações com países latinos estará em debate hoje e amanhã em Lisboa. Nestas regiões, 70% da terra não é arável e há metade das fontes de água potável.

Há um triângulo ainda pouco explorado entre América Latina, Europa e África e que pode valer biliões de euros daqui a algumas décadas. E Portugal quer ser o vértice principal nesta relação a três. Infraestruturas e tecnologia são as áreas em que o país mais pode ficar a ganhar com esta ligação, entende Filipe Domingues, secretário-geral do IPDAL - Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas. As relações comerciais entre América Latina e África estarão em debate hoje e amanhã no VII Encontro Triângulo Estratégico: América Latina-Europa-África, que vai trazer a Lisboa inúmeras personalidades do mundo dos negócios e da política.

Nas infraestruturas e nos transportes, "as nossas empresas têm um know-how absolutamente extraordinário, que é replicável e que tem um défice de desenvolvimento brutal na América Latina e em África". Filipe Domingues dá mesmo o exemplo da Mota-Engil, que tem construído autoestradas e hospitais na América Latina e que ajudou a montar o metro de Guadalajara (México).

A tecnologia portuguesa também pode ganhar protagonismo, ao "modernizar as economias e os sistemas produtivos" das duas regiões. "Há falta de competitividade por insuficiente incorporação de tecnologia e as exportações estão demasiado dependentes de matérias-primas e de produtos não transformados." Com produtos made in Portugal, as companhias latinas "podem ganhar escala num mundo mais global".

A conferência do IPDAL, além da economia digital e das infraestruturas, vai debater ainda a participação política dos jovens, as dinâmicas regionais, a cultura, a ciência, a educação e as parcerias estratégicas. Miguel Ángel Moratinos, ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, e Ramón Puerta, antigo presidente da Argentina, estarão entre os convidados, nos quais se incluem também o secretário de Estado Eurico Brilhante Dias e Luís Amado, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Portugal, em, termos de parcerias estratégicas, tem tido grande proximidade ao norte de África nos últimos anos. "Temos desenvolvido uma relação muito forte e muito próxima, por exemplo, com Marrocos. É um dos países em África que têm trabalhado melhor a sua projeção internacional e as empresas marroquinas também estão entre os maiores investidores do continente africano."

Ficar com o papel principal neste triângulo comercial, no entanto, não vai ser fácil. A América Latina representa apenas 3% das exportações portuguesas e as empresas, para serem bem-sucedidas nesta relação a três, terão explorar regiões em que "70% da terra não é arável" e na qual e se encontra "metade das fontes de água potável" em todo o mundo.

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