Novo Banco. Negociações aceleram para fechar acordo

A expectativa do governo é concluir o processo nas próximas semanas. Mas ainda há temas essenciais para fechar

A venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, com o qual o Fundo de Resolução está em negociações exclusivas, entrou na reta final e está na fase de discussão de pontos essenciais para a assinatura dos contratos.

Ao que o DN/Dinheiro Vivo apurou, os vários intervenientes querem acelerar a conclusão das negociações, que estão a ser conduzidas a dois níveis. O mais relevante é decidir onde ficará a participação do Estado, se no Fundo de Resolução se noutro veículo. O objetivo é que esta alteração aos termos da venda não seja considerada ajuda de Estado pela Direção--Geral da Concorrência da UE (DG Comp).

Por isso mesmo estão a decorrer em paralelo contactos com a Comissão Europeia para garantir luz verde a esta alternativa antes da assinatura do contrato. As negociações também estão a decorrer com o Banco Central Europeu (BCE), que tem funções de supervisão. Contactada, fonte oficial do BCE disse que a instituição não comenta processos individuais.

Fechados estes temas, será possível passar para a assinatura dos contratos. A expectativa, garantiu ontem o ministro das Finanças, Mário Centeno, é fechar o dossiê "nas próximas semanas". O ministro não quis, contudo, confirmar a data de 17 de março como limite para a venda, como noticiou o Público.

"A expectativa é que esse processo decorra nas próximas semanas, mas não gostaria de fixar uma data porque há negociações que não envolvem apenas o Banco Central Europeu mas também outros atores relevantes neste processo", disse o ministro. Mário Centeno frisou que o processo entrou numa "fase crucial. Há negociações a decorrer cujo sucesso depende da conclusão do processo", explicou.
O modelo que está a ser discutido prevê que o Lone Star fique com 65% do banco, o Estado com 25% e 10% reservados a grandes grupos nacionais. O Lone Star quer dar seis mil milhões de euros de crédito por ano, manter a atividade em Espanha e vender as restantes operações externas.