Montepio: a dona de banco que vale milhões vai a votos

Poucos acreditam na saída de Tomás Correia da liderança. Há três listas no Montepio Geral

A partir das 18 horas de hoje ficam selados os próximos três anos da Associação Mutualista Montepio Geral, que é dona de um banco e tem ativos de quase 4000 milhões de euros. A essa hora terminam as eleições para a liderança da maior mutualista do país, que tem sido presidida por António Tomás Correia ao longo de mais de uma década.

Apesar de estar sob forte pressão pública e nos media, por se ter recandidatado quando está a ser alvo de processos no Banco de Portugal e na justiça, Tomás Correia tenta um quarto mandato, liderando a Lista A. Poucos acreditam que será derrotado nestas eleições. Fernando Ribeiro Mendes, administrador da mutualista, lidera a Lista B e o empresário António Godinho lidera a Lista C. Godinho ficou em segundo lugar nas eleições de 2015.

Abstenção elevada

A falta de interesse dos associados reforçam as expectativas de que Tomás Correia vai revalidar a sua liderança. Cerca de 480 mil, dos 620 mil associados da Mutualista podem votar por correspondência ou presencialmente hoje, na Rua Áurea, em Lisboa. Mas até ontem, pouco mais de 40 mil associados tinham enviado os seus votos. Já nas anteriores eleições, em 2015, tinha havido pouco interesse da parte dos associados, tendo votado cerca de 51 mil.

"Estas eleições não são democráticas nem justas", desabafou um membro de uma das listas adversárias da Lista A. "Nem sequer tivemos acesso ao caderno eleitoral", adiantou.

Se Tomás Correia sair vencido, será uma surpresa. Pressão não tem faltado. Inúmeras reportagens televisivas e notícias na Imprensa e em sites de notícias têm incidido sobre os casos em que Tomás Correia está envolvido. O próprio processo eleitoral tem sido rico em eventos polémicos, como o envio de SMS a apelar aos associados para ignorarem "notícias falsas" e um blogue que ataca e insulta jornalistas e adversários de Tomás Correia.

O Governo viu-se envolvido na polémica. Ribeiro Mendes e António Godinho foram recebidos pelo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social na última segunda-feira. Os candidatos alertaram o ministro, José Vieira da Silva, para os riscos de fraude nas eleições. Por outro lado, o Governo aprovou um despacho aguardado que atribui a supervisão financeira da Mutualista ao regulador dos seguros, a ASF, a meio das eleições. O diploma surgiu na sequência da entrada em vigor do novo Código das Associações Mutualistas e gerou a expectativa de que, se Tomás Correia vencer, terá de sair caso seja condenado num dos processos de que é alvo.

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