Mudança nos escalões do IRS poupa no máximo 21 euros por mês

Alterações nos escalões e taxas do IRS vão beneficiar salários até 3200 euros, mas serão os que recebem entre 2300 e 2600 euros os mais beneficiados

Afinal não são apenas as pessoas com rendimentos mais baixos que vão beneficiar do alargamento dos escalões e descida de taxas do IRS que aí vem com o próximo Orçamento do Estado. As mudanças vão traduzir-se num desagravamento do imposto a pagar por todos os trabalhadores até 3200 euros, mas quem conseguirá beneficiar da poupança máxima são os salários que oscilam entre os 2300 e os 2600 euros por mês. Quem está neste patamar salarial terá uma poupança de 293 euros, ou seja, 21 euros em cada um dos 14 meses.

Um conjunto de simulações realizadas para o DN/Dinheiro Vivo pela consultora EY mostra que um trabalhador que ganha 2500 euros por mês (35 mil euros por ano) pagará em 2018 menos 496,53 euros do que este ano. Descontando o valor da sobretaxa (cuja eliminação já estava prevista e decidida), o impacto do rearranjo dos escalões e das respetivas taxas traduzir-se-á numa redução de 293 euros no IRS.

Se o salário for de mil euros - admitindo que o volume de deduções à coleta se mantém igual de um ano para o outro - a fatura a menos do IRS será de 154 euros. Isto para os contribuintes sem filhos. As contas são diferentes quando existem dependentes ou quando num casal há apenas um titular.

Para que este efeito seja integralmente repercutido é necessário que as tabelas de retenção na fonte sejam ajustadas. Mas essa é uma das questões que estão ainda em aberto e que dão margem ao governo para controlar a perda de receita. Ou seja, se adequar na mesma proporção as tabelas do IRS, travará o rombo na receita em 2018, ainda que em 2019 tenha de fazer reembolsos mais elevados.

O alívio no IRS reflete o desdobramento dos atuais 2.º e 3.º escalões de rendimento que fizeram que o imposto fique com sete escalões a partir de 2018. O recuo das taxas, previsto no Orçamento do Estado para 2018 que hoje será divulgado, abrange quem ganha entre 7091 e 10 700 euros (que passa a ser tributado a uma taxa de 23% em vez de 28,5%) e os rendimentos entre 20 261 e 25 000 euros (que em vez de 37% passam a pagar 35%). O novo modelo acautela que as pessoas que estão na franja dos rendimentos coletáveis anuais até aos 40 mil euros ainda sejam beneficiadas, e que a partir daí não haja nem ganhos nem perdas. Nestes patamares de rendimentos mais elevados (que superam os 40 mil euros anuais), o desagravamento do imposto será feito através da eliminação da sobretaxa.

Ler mais

Exclusivos

Ricardo Paes Mamede

DN+ Queremos mesmo pagar às pessoas para se reproduzirem?

De acordo com os dados do Banco Mundial, Portugal apresentava em 2016 a sexta taxa de fertilidade mais baixa do mundo. As previsões do INE apontam para que a população do país se reduza em mais de 2,5 milhões de habitantes até 2080, caso as tendências recentes se mantenham. Segundo os dados da OCDE, entre os países com economias mais avançadas Portugal é dos que gastam menos com políticas de apoio à família. Face a estes dados, a conclusão parece óbvia: é preciso que o Estado dê mais incentivos financeiros aos portugueses em idade reprodutiva para que tenham mais filhos.