Mina de lítio pode receber investimento de 93 milhões

Empresa inglesa Savannah Resources vai fazer um estudo de viabilidade económica da Mina do Barroso, em Boticas. Investimento até 2020 pode ser de 92,6 milhões de euros.

O primeiro passo está dado. Se as previsões se confirmarem, daqui a menos de dois anos haverá uma mina a céu aberto em solo transmontano. A Savannah Resources confirmou que a Mina do Barroso, em Boticas, tem potencial para ser a primeira da Europa a produzir espodumena de lítio, colocando Portugal na rota das fabricantes de carros elétricos.

A empresa inglesa fez o anúncio ontem em comunicado. A Mina do Barroso reúne o "potencial para o desenvolvimento de uma operação mineira a céu aberto". A conclusão consta no estudo preliminar que os britânicos desenvolveram nos últimos meses e que pretendia avaliar a qualidade do lítio da região trasmontana. Na nota, a Savannah admite que até 2020 poderá investir 109 milhões de dólares (92,6 milhões de euros) na Mina do Barroso, num projeto que deverá criar até 150 empregos diretos.

"Desenvolvimentos muito importantes estão a ser executados na maior descoberta de lítio da Europa Ocidental, que poderá entrar em produção em 2020", lê-se no documento. Segundo a Savannah, o estudo preliminar permitiu perceber que a Mina do Barroso tem uma capacidade de exploração de 1,3 milhões de toneladas por ano e pode produzir 175 mil toneladas por ano de espodumena de lítio, um mineral "inerte, que é usado para produzir sais de lítio" que são usados nas baterias.

"O estudo de definição de âmbito é a primeira grande avaliação do projeto e é encorajador ver que há potencial para o desenvolvimento de uma operação mineira a céu aberto para produzir um produto de lítio para os mercados europeu e internacional. O estudo fornece uma base sólida para a transição para a próxima etapa do nosso processo de avaliação, com um estudo completo de viabilidade económica, bem como estudos associados", explica David Archer, CEO da Savannah Resources.

Na mesma nota, a Savannah lembra que a concretizar-se o projeto de Boticas, Portugal será a curto prazo "o primeiro fornecedor europeu" de espodumena de lítio.

"O projeto português irá ajudar a ancorar a parte montante da cadeira de valor das baterias de iões de lítio e contribuir para o objetivo geral de aumentar a competitividade europeia, a segurança das matérias-primas e melhorar o bem-estar", destaca David Archer. A empresa destaca ainda que está a apostar no minério português porque sabe que também o governo "está focado no setor do lítio".

A descoberta da empresa britânica foi comunicada pela primeira vez no início de maio, um ano depois de a Savannah ter começado a explorar a zona de Covas do Barroso. Os responsáveis revelaram na altura que as reservas de concentrado de lítio da região são afinal o dobro do estimado inicialmente. "Acreditamos que a Mina do Barroso tem o potencial para ser uma peça-chave na cadeia de valor emergente do lítio na Europa, e que poderá ajudar no processo de transação das fabricantes automóveis europeias para a produção de veículos elétricos", destacaram. Os direitos de prospeção da Savannah na região prolongam-se até 2036, sendo extensíveis por mais 20 anos.

O governo prepara-se para lançar nos próximos meses os concursos públicos que vão definir quem poderá explorar as zonas do país ricas em lítio que ainda não estão concessionadas. Nas nove regiões que concentram o minério existem pelo menos 60 mil toneladas métricas identificadas, que fazem de Portugal um dos dez países do mundo com mais reservas de lítio.

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Nuno Artur Silva

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