Miguel Maya promete entregar mais lucros aos acionistas do BCP

Assembleia geral aprovou a nova equipa de gestão do BCP. Miguel Maya sobe a presidente executivo. Sonangol, o segundo maior acionista, pediu dividendos

O Millennium bcp, segundo maior banco privado em Portugal virou ontem mais uma página na sua história. O banco, que tem a chinesa Fosun como principal acionista, entra numa nova fase com Miguel Maya ao leme. O novo presidente executivo do banco - que aguarda apenas autorização do Banco Central Europeu para assumir as novas funções - era o número dois do anterior CEO, Nuno Amado, que agora passa a chairman. Mas, apesar de garantir uma continuidade do trabalho já feito por Nuno Amado, Maya aponta um caminho de crescimento para o BCP e garante que vai levar o BCP "de um ciclo de resiliência para um ciclo de vitalidade", entregando mais lucros aos acionistas. O BCP aumentou o lucro para 186,4 milhões de euros em 2017. No ano anterior tinha tido um resultado de 23,9 milhões de euros. Ontem, os acionistas aprovaram as contas de 2017 e a aplicação de resultados, que não prevê o pagamento de dividendos.

A confirmação de Miguel Maya para a liderança da comissão executiva do BCP foi feita ontem pelos acionistas do banco que reuniram em assembleia geral (AG) no Taguspark, em Oeiras. A maioria dos dez pontos em agenda foi aprovada com mais de 99% do capital presente na sala, que rondou os 63%.

O banco reduziu o número de administradores de 19 para 17. Entre as principais novidades está a saída de António Mexia do conselho de administração. A EDP não tem agora nenhum representante nos órgãos sociais do banco. António Mexia ficou de fora da lista de nomes propostos aos acionistas depois de uma década no BCP. O presidente executivo da EDP foi constituído arguido em junho de 2017 no âmbito da investigação aos CMEC (Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual). Outra novidade é Jorge Magalhães Correia, presidente da Fidelidade, que entra para administrador do BCP, em representação da Fosun. A chinesa é o maior acionista do banco, com 27,06% do capital, seguida da petrolífera angolana Sonangol, com uma posição de 19,49%. A maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, detém 2,83% e o grupo EDP 2,11%.

A Sonangol pediu dividendos e mais lucros ao BCP. Carlos Saturnino, presidente do grupo angolano, referiu ontem, à margem da AG, que espera que o BCP consiga ter lucros acima dos 300 milhões de euros estimados para 2018. Disse também que a Sonangol está satisfeita por ser o segundo maior acionista, atrás da chinesa Fosun, e não tem planos neste momento para reforçar a sua posição no capital. "Ser a segunda força não é mau. E recordo que a Fosun entrou no banco com o aval da Sonangol. Nós facilitámos a entrada da Fosun", afirmou Saturnino aos jornalistas, após a AG. "A própria Sonangol está, neste momento, num programa de regeneração que vai fazer a reorganização de todo o grupo empresarial", referiu. E apontou que "a própria gestão do banco não fez ainda nenhum apelo no sentido de um aumento de capital ou um reforço nesse sentido".

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