Lucros da Galp estão a jorrar do fundo do mar no Brasil

Petrolífera aumentou produção no Brasil em mais de 35% no último trimestre e analistas estimam agora lucros de 169 milhões

É do fundo do mar no Brasil que jorram os milhões de lucros que a Galp tem vindo a apresentar ao longo dos últimos meses. Só neste país, a produção de petróleo da empresa disparou 35,2% no terceiro trimestre de 2017, face a igual período do ano passado, de acordo com os dados do mais recente trading update. É também graças ao Brasil que a petrolífera prevê chegar a uma meta de produção de cem mil barris de petróleo por dia até ao final de 2017.

Depois do impacto já sentido em bolsa, com as ações da petrolífera a negociar em outubro em máximos de mais de seis anos, o aumento da produção teve um impacto direto nos resultados dos últimos três meses, com os analistas a preverem um salto de mais de 50% nos lucros líquidos da Galp, que serão apresentados hoje.

De acordo com um painel de 26 analistas que seguem a Galp, o resultado líquido da empresa no terceiro trimestre do ano deverá situar-se em 169 milhões de euros, contra 115 milhões um ano antes. O Caixa Banco de Investimento espera um aumento ainda maior, de 55%, nos lucros da Galp, que deverão situar-se nos 178 milhões, um valor alcançado não só graças ao aumento da produção de petróleo, mas também pela nova licença que a petrolífera acabou de ganhar para explorar um bloco de petróleo na prolífera região do pré-sal no Brasil.

É ali, ao largo da costa brasileira, que a Galp está a apostar grande parte das suas fichas, com a garantia de que "mais de 90% do investimento da Galp vai continuar no petróleo e no gás", assegurou o CEO da Galp, Carlos Gomes da Silva, em junho.

Apesar da quebra de 23,2% sentida na produção de petróleo em Angola, ainda assim, entre julho e setembro, a produção média bruta da Galp aumentou 27,7% para os 82,8 mil barris de petróleo por dia. Este cenário é fruto do contínuo aumento da produção no Brasil, destacando-se a sexta unidade de produção flutuante (FPSO) do projeto Lula-Iracema, que entrou em produção em julho de 2016 e se encontra atualmente a produzir à sua capacidade máxima. A sétima unidade instalada neste projeto, FPSO P-66, e ligada em maio de 2017, contribuiu igualmente para este aumento da produção.

Às sete unidades que já estão em operação no Brasil vão juntar-se outras cinco entre o final de 2017 e ao longo de 2018 (mais três também no Brasil e duas em Angola no próximo ano, no âmbito do projeto Kaombo). Até 2021, a Galp quer ter 16 unidades de produção em operação no Brasil e em Angola, o que permitirá um crescimento médio anual da produção entre os 15% e 20% no período 2016-21, de acordo com o plano estratégico da petrolífera portuguesa. O objetivo é investir cinco milhões de euros para duplicar a produção, com um investimento médio anual que deverá situar-se entre os 800 mil e os mil milhões de euros. Em 2017, prevê a Galp, o investimento poderá ascender a 1,2 mil milhões.

Parte deste valor foi já direcionado para a aquisição de uma participação de 20% numa nova licença de exploração no cobiçado pré-sal brasileiro. Estima-se que os oito blocos em oferta pelo governo brasileiro tenham reservas de petróleo de mais de 12 mil milhões de barris.

O consórcio que integra as gigantes petrolíferas Statoil e ExxonMobil e também a Petrogal Brasil, subsidiária da Galp Energia, adquiriu na semana passada uma participação na licença de Norte de Carcará, na bacia de Santos. "A Petrogal Brasil deterá uma participação de 20% naquela área, enquanto a Statoil e a ExxonMobil adquirem 40% cada."

"O consórcio ofereceu [ao governo brasileiro] um excedente em petróleo de 67,12% e o pagamento de um bónus de 930 milhões de dólares, ou seja, cerca de 186 milhões de dólares relativos à participação da Petrogal Brasil, bem como a perfuração de um poço de exploração." A subsidiária da Galp acordou ainda com a parceira Statoil um reforço de 3%, para os 17%, da sua posição no bloco BM-S-8.

"Estas aquisições refletem o interesse estratégico da Galp em expandir a sua presença nas áreas core, como seja o pré-sal brasileiro, selecionando um conjunto de ativos de elevada qualidade a desenvolver através de parcerias sólidas." Uma estratégia que tem dado bons resultados: o retorno das ações da Galp é de 12,47%, quase o triplo da média do mercado.

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Nuno Artur Silva

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