Lisboetas têm de trabalhar 11 dias para comprar um iPhone

Zurique, na Suíça, é a campeã dos preços mais altos no mundo. Mas é também a que tem o maior poder de compra, 35% acima de Nova Iorque

Os lisboetas têm de trabalhar em média 89 horas para conseguirem comprar um iPhone 6 de 16 gigabites. É o mesmo que dizer que têm de trabalhar mais de 11 dias - assumindo que um dia de trabalho tem oito horas - antes de poderem comprar um telemóvel que custa cerca de 650 euros. Ou seja, ganham em média 7,3 euros por hora.

A conclusão é de um estudo do banco suíço UBS, que parte da pergunta "Ganho o suficiente para levar a vida que quero?" Para responder a esta questão o UBS analisou o custo de vida em 71 cidades, comparando os preços de 122 produtos e serviços e o rendimento de 15 profissões: operário da construção civil, engenheiro, mecânico, funcionário bancário, professor e enfermeiro, entre outros. Da comparação do preço de quatro produtos disponíveis em todo o mundo - um Big Mac, um quilo de pão, um quilo de arroz e um iPhone 6 de 16 gigabites - foi determinado o tempo de trabalho necessário para os adquirir em cada cidade.

Assim, ficamos a saber que se morar em Lisboa precisa de 22 minutos de trabalho para comprar um Big Mac, 16 minutos para um quilo de pão e oito minutos para um quilo de arroz. A nível mundial, Lisboa fica abaixo do tempo médio de trabalho necessário para adquirir estes produtos: 27 minutos para um Big Mac, 19 minutos para um quilo de pão, 18 minutos para um quilo de arroz e 119 horas (quase 15 dias) para um iPhone.

Mas a lista completa inclui cidades como Nairobi, capital do Quénia, onde é preciso trabalhar quase três horas para poder comprar um Big Mac. Se considerarmos apenas as cidades europeias, o cenário laboral em Lisboa é menos animador. Na Europa, os lisboetas só estão melhor do que quem trabalha em Varsóvia, Vilnius, Tallinn, Sófia, Riga, Kiev, Budapeste, Bucareste e Bratislava.

O nível de vida em Lisboa fica muito longe de, por exemplo, Londres, onde é preciso trabalhar seis minutos para comprar um quilo de pão e menos de metade do tempo (41 horas) para conseguir um iPhone. Mas na Europa é Zurique que se destaca: na cidade suíça, 21 horas de trabalho rendem o suficiente para comprar um smartphone da Apple.

O estudo analisa também o valor das rendas nas 71 cidades, bem como os preços da restauração ou hotelaria. E as disparidades são ainda mais evidentes: se um lisboeta paga em média 710 dólares (652 euros) por um T2 mobilado, um nova-iorquino tem de pagar 4620 dólares (4243 euros) pelo mesmo tipo de apartamento. Já em Sófia, uma casa com estas características custa em média 270 euros. Mas os salários são também muito diferentes. Tendo Nova Iorque como valor-base, com o índice 100, ficamos a saber que os habitantes de Zurique têm um poder de compra 35,1% acima, enquanto o dos lisboetas está 45,5% abaixo do dos americanos.

Feitas as contas de um cabaz de 122 produtos e serviços (incluindo a renda), Zurique, Genebra e Nova Iorque são as cidades mais caras do mundo. Aqui, os bens e serviços custam 2,5 vezes mais do que em Bucareste, Sófia ou Kiev, as três mais baratas. A capital portuguesa está na metade do ranking onde o custo de vida é mais barato.

Para Carlos Martins, professor universitário especialista em consumo, estes dados "valem o que valem" e servem para nos recordar "que ganhamos pouco". Mas ganhamos pouco "por razões intrinsecamente nossas, porque fazemos produtos de fraco valor acrescentado e não somos capazes de gerar riqueza nacional para termos rendimentos superiores. E faz-nos pensar no que vai acontecer nos próximos anos, em que certamente não vamos ter capacidade para enriquecer".

Com I.P.

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