Juros no novo crédito à habitação abaixo da média da zona euro

Taxas nos novos empréstimos para compra de casa atingiram o valor mais baixo desde, pelo menos, 2004. No crédito ao consumo houve um agravamento

Os bancos portugueses estão a cobrar menos nos novos créditos à habitação. A taxa de juro registada em outubro baixou para o valor mais baixo desde 2004, data dos primeiros dados disponibilizados pelo Banco de Portugal. Os empréstimos à habitação concedidos naquele mês tiveram uma taxa de juro média de 1,53%, segundo dados divulgados ontem pela instituição liderada por Carlos Costa. No início do ano, o custo era de 1,83%. A queda do juro médio cobrado reflete a descida das taxas Euribor, que estão em mínimos históricos, mas também a queda dos spreads praticados pelos bancos.

O custo de contratar novos créditos à habitação passou a ser mais baixo em Portugal do que na média da zona euro neste ano. A taxa de juro média das novas operações na zona euro foi de 1,89% em outubro. No final de 2016 era de 1,78%, ligeiramente abaixo do que era praticado na altura em Portugal.

O Banco de Portugal explicou no Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado na semana passada, que "observa-se uma compressão dos spreads dos novos empréstimos à habitação, o que reflete, em larga medida, a concorrência entre bancos neste segmento". E destacou que, apesar dos prémios de risco cobrados pelos bancos no crédito à habitação ainda estarem em níveis mais elevados do que antes da crise, "já se encontram em níveis relativamente baixos no contexto da zona euro".

Além de juros mais baixos, a instituição liderada por Carlos Costa notou uma menor restritividade da banca na hora de conceder crédito, seja permitindo prazos mais elevados ou maiores taxas de esforço. E não descarta tomar medidas para restringir as condições de acesso ao crédito, caso considere que isso represente uma ameaça para a estabilidade do sistema financeiro.

Em 2017, os bancos têm concedido, em média, 665 milhões de euros de crédito à habitação por mês. Nos primeiros dez meses do ano passado, a média era de 463 milhões, mas o valor das amortizações ainda é superior ao dos novos empréstimos, o que fez que o stock total de crédito à habitação descesse 1,2 mil milhões para um total de 93,34 mil milhões desde o início do ano.

Crédito ao consumo cresce

Mas se nos empréstimos à habitação os bancos estão a cobrar menos, no crédito ao consumo as taxas voltaram a subir. Em outubro, o juro médio das novas operações aumentou de 7,20% para 7,23%. Ainda assim, está abaixo do máximo deste ano: 7,58% em fevereiro. No final de 2016 era de 7,14%. Este tipo de crédito é mais caro do que na zona euro. Em outubro, os bancos europeus cobravam uma taxa média de 5,59% no novo crédito ao consumo.

Apesar dos juros mais elevados, o crédito ao consumo é o que mais tem crescido no balanço dos bancos. Desde o início do ano, o stock destes empréstimos subiu 1,1 mil milhões de euros, ascendendo a 13,48 mil milhões de euros. Em média, os bancos estão a conceder 340 milhões por mês em novos créditos ao consumo. No Relatório de Estabilidade Financeira, o Banco de Portugal alertava que se "tem observado um continuado aumento da procura de empréstimos" para esta finalidade.

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