Judiciária e DCIAP investigam prémios de gestão atribuídos à TAP

Os prémios de gestão da TAP totalizaram 1,8 milhões de euros em 2006 e 2007

Os prémios de gestão atribuídos pelo governo de José Sócrates à TAP entre 2006 e 2009 estão a ser investigados pela Polícia Judiciária e pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, segundo avança esta terça-feira o jornal Observador. A investigação tem como centro os prémios de gestão da administração liderada por Fernando Pinto, que em 2006 e 2007 ultrapassaram os 1,8 milhões de euros.

Escreve o Observador que, em 2006, Fernando Pinto recebeu 315 mil euros de prémio, e os cinco administradores receberam, cada um, 210 mil euros de prémio. Em todos os casos é mais de 70 por cento da remuneração anual dos envolvidos. Em 2007, os prémios desceram para menos de metade. Os prémios de 2008 e 2009 não foram divulgados.

Em 2006 e 2007 a TAP teve mais de 40 milhões de euros em lucro, mas em 2008 e 2009 passou a ter prejuízos de 291 milhões. No entanto, sublinha o Observador, os prémios da administração não foram pagos pela gestão de todo o Grupo TAP mas sim apenas pela gestão da unidade do transporte aéreo (a TAP, SA, por oposição à TAP, SGPS, que se refere ao grupo inteiro). A unidade de transporte aéreo manteve os seus resultados positivos nos anos de 2008 e 2009, em que o grupo em geral teve prejuízo.

Em 2009, com a entrada em vigor do Programa de Estabilidade e Crescimento, os prémios de gestão foram suspensos, decisão contestada pela administração de Fernando Pinto.

Segundo escreve o Observador, a investigação aos prémios de gestão está integrada na investigação da Polícia Judiciária que teve início em 2013 e que, em abril, levou à realização de buscas na Parpública e nas instalações da TAP, relativamente à compra da empresa de manutenção brasileira VEM, hoje M&E Brasil. O inquérito investiga suspeitas de administração danosa, participação económica em negócio, corrupção, branqueamento de capitais e burla qualificada.

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