Já há 35 portugueses que exigem um carro novo à Volkswagen

Marcas do grupo alemão têm várias campanhas de promoção em curso, mas nenhuma, para já, por causa da fraude

Já há pelo menos 35 portugueses que estão a exigir à Volkswagen a troca do seu carro por um novo ou a alteração das condições de garantia por causa do caso de manipulação das emissões poluentes por parte do gigante alemão da indústria automóvel, revelou a Deco, a associação de defesa dos consumidores, ao Dinheiro Vivo.

"Há vários consumidores que querem trocar um modelo da Volkswagen por um outro igual, mas sem problemas no software do motor." Noutros casos, são exigidas "alterações nas condições na garantia atual", de dois anos, que cobrem apenas deficiências de fabrico, de dois anos. A Deco explica que há casos de clientes que querem que a garantia se prolongue além dos dois anos definidos por lei. Várias marcas já comercializam os carros com três ou até cinco anos de garantia geral.

Vários juristas do Departamento de Apoio ao Consumidor estão já a avaliar as situações para poderem mediar o diferendo. A Deco refere ainda que já, desde o início de outubro, pouco depois de rebentar o escândalo, teve 3422 acessos na plataforma criada para verificar se o carro tem ou não de ser chamado à oficina a partir do início de 2016.

Mas não é só a Deco que tem recebido pedidos de esclarecimento. A Direção-Geral do Consumidor (DGC) indica sete comunicações. Teresa Moreira, diretora-geral, adianta que a DGC está a "preparar respostas às perguntas mais frequentes", através da elaboração de um guia com as sete instituições do Estado que estão no grupo de trabalho criado pelo governo, liderado pelo Ministério da Economia, e que está a avaliar os impactos da fraude do grupo de Wolfsburg. Em Portugal há perto de 125 mil carros afetados.

O Centro de Arbitragem do Setor Automóvel (CASA), a associação que medeia os litígios de consumo no setor, já recebeu cem pedidos de esclarecimento dos consumidores.

Não há promoções. Para já

Amanhã vão ser divulgados os dados de vendas automóveis de outubro, o primeiro mês completo desde que foi tornada pública a fraude que envolveu 9,5 milhões de carros do grupo Volkswagen em todo o mundo.

O grupo alemão, para já, não está a antecipar grandes quebras nas vendas. E, por isso, não tem quaisquer campanhas especiais de promoção para carros a gasóleo. No Salão de Lisboa, que arrancou ontem, os grandes atrativos são as campanhas de crédito com 0% de juros e o alargamento das garantias, de dois para cinco anos, em alguns modelos. Além da campanha dos 40 anos do Polo... a gasolina.

"As promoções não estão ligadas à crise atual provocada pelas emissões, mas sim ao normal desenrolar do nosso negócio", garante a SIVA, importadora portuguesa da Volkswagen, da Audi e da Skoda, em declarações ao Dinheiro Vivo.

"Isto está a afetar-nos um bocadinho. No mês passado vendi cinco carros e neste mês ainda só saiu um. Notamos também que há menos entradas de automóveis no stand", admitiu, no entanto, um vendedor da VW, que pediu para não ser identificado.

Vários vendedores lembram que "as pessoas perceberam já que não é um problema de segurança, em que o grupo Volkswagen transmite uma imagem muito forte". E, por isso, os concessionários têm sido contactados, sobretudo, "para saber se têm ou não de ir à oficina atualizar o software dos carros". E queixam-se das "notícias alarmistas", a partir de 18 de setembro, quando foi denunciada a fraude da manipulação das emissões nos EUA.

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